Meus seguidores

terça-feira, 1 de agosto de 2017

ENEM_LinguagemCodigos_2017_1ªAp

ENEM 2017 - 1ª APLICAÇÃO
ENEM 2017 - LINGUAGENS E CÓDIGOS - 1ª APLICAÇÃO

01
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Romanos usavam redes sociais há dois mil anos, diz livro

    Ao tuitar ou comentar embaixo do post de um de seus vários amigos no Facebook, você provavelmente se sente privilegiado por viver em um tempo na história em que é possível alcançar de forma imediata uma vasta rede de contatos por meio de um simples clique no botão “enviar”. Você talvez também reflita sobre como as gerações passadas puderam viver sem mídias sociais, desprovidas da capacidade de verem e serem vistas, de receber, gerar e interagir com uma imensa carga de informações. Mas o que você talvez não saiba é que os seres humanos usam ferramentas de interação social há mais de dois mil anos. É o que afirma Tom Standage, autor do livro Writing on the Wall – Social Media, The first 2 000 Years (Escrevendo no mural – mídias sociais, os primeiros 2 mil anos, em tradução livre).

    Segundo Standage, Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano, teria sido, junto com outros membros da elite romana, precursor do uso de redes sociais. O autor relata como Cícero usava um escravo, que posteriormente tornou-se seu escriba, para redigir mensagens em rolos de papiro que eram enviados a uma espécie de rede de contatos. Estas pessoas, por sua vez, copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios comentários e repassavam adiante. “Hoje temos computadores e banda larga, mas os romanos tinham escravos e escribas que transmitiam suas mensagens”, disse Standage à BBC Brasil. “Membros da elite romana escreviam entre si constantemente, comentando sobre as últimas movimentações políticas e expressando opiniões.”

    Além do papiro, outra plataforma comumente utilizada pelos romanos era uma tábua de cera do tamanho e da forma de um tablet moderno, em que escreviam recados, perguntas ou transmitiam os principais pontos da acta diurna, um “jornal” exposto diariamente no Fórum de Roma. Essa tábua, o “iPad da Roma Antiga", era levada por um mensageiro até o destinatário, que respondia embaixo da mensagem.

NIDECKER. F. Disponivel em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 7 nov. 2013 (adaptado).

Na reportagem, há uma comparação entre tecnologias de comunicação antigas e atuais. Quanto ao gênero mensagem, identifica-se como característica que perdura ao longo dos tempos o(a)

De acordo com o texto, havia, entre filósofos e autoridades governamentais da Roma Antiga, o hábito de acrescentar comentários e repassá-los adiante, procedimento equivalente ao compartilhamento de informações nas redes sociais contemporâneas.


02
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero [...]. Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.

ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 9 out. 2015.

No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a perspectiva de Fortunato. O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do(a)

Neste conto de Machado de Assis, intitulado “A Causa Secreta”, o personagem Fortunato é movido por “prazer em relação ao sofrimento alheio”, isto é, por sadismo.


03
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Mas assim que penetramos no universo da web, descobrimos que ele constitui não apenas um imenso “território” em expansão acelerada, mas que também oferece inúmeros “mapas”, filtros, seleções para ajudar o navegante a orientar-se. O melhor guia para a web é a própria web. Ainda que seja preciso ter a paciência de explorá-la. Ainda que seja preciso arriscar-se a ficar perdido, aceitar “a perda de tempo” para familiarizar-se com esta terra estranha. Talvez seja preciso ceder por um instante a seu aspecto lúdico para descobrir, no desvio de um link, os sites que mais se aproximam de nossos interesses profissionais ou de nossas paixões e que poderão, portanto, alimentar da melhor maneira possível nossa jornada pessoal.

LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

O usuário iniciante sente-se não raramente desorientado no oceano de informações e possibilidades disponíveis na rede mundial de computadores. Nesse sentido, Pierre Lévy destaca como um dos principais aspectos da internet o(a)

P. Lévy destaca que o caráter amplo da internet é capaz de deixar seu usuário perdido em meio à enorme quantidade de informação, mas o próprio usuário dispõe de uma série de ferramentas, na própria internet, que possibilitam o acesso ao aprendizado.


04
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

    Terezinha de Jesus

    De uma queda foi ao chão

    Acudiu três cavalheiros

    Todos os três de chapéu na mão

    O primeiro foi seu pai

    O segundo, seu irmão

    O terceiro foi aquele

    A quem Tereza deu a mão

BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado).

TEXTO II

    Outra interpretação é feita e partir das condições sociais daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem cantava a cantiga, e música falava do casamento como um destino natural na vida da mulher, na sociedade brasileira do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A música prepara a moça para o seu destino não apenas inexorável, mas desejável; o casamento, estabelecendo uma hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho, marido), de acordo com a época e circunstâncias de sua vida.

Disponível em: http://provsjose.blogspot.com.br. Acesso em: 5 dez. 2012.

O comentário do Texto II sobre o Texto I evoca a mobilização da língua oral que, em determinados contextos,

A letra da canção, comentada no texto II, “reforça comportamentos e padrões culturais”, no caso, o casamento como destino natural na existência feminina.


05
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam e não me susceptibilizei. Longe disso: achei curiosa aquele maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com franqueza que e roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1994.

Por meio de recursos linguísticos, os textos mobilizam estratégias para introduzir e retomar ideias, promovendo a progressão do tema. No fragmento transcrito, um novo aspecto do tema é introduzido pela expressão

A expressão “Longe disso” introduz uma nova perspectiva em relação às zombarias que estavam sendo feitas por meio de insistentes elogios. O autor não se aborrece, mas acha “curiosa aquela maneira de falar pelo avesso”.


06
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

CIPRIANI, F. Disponível em: www.snmsolutions.com.br. Acesso em: 15 maio 2013 (adaptado).

O consumidor do século XXI, chamado de novo consumidor social, tende a se comportar de modo diferente do consumidor tradicional. Pela associação das características apresentadas no diagrama, infere-se que esse novo consumidor sofre influência da

O denominado novo consumidor social sofre influência da cultura do comércio eletrônico, por isso é fortemente induzido pelo meio digital.


07
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    A língua tupi no Brasil Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga (peixe seco, em tupi) era quase sinônimo de falar língua de índio. Em cada cinco habitantes da cidade, só dois conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma”.

    Derivado do dialeto de São Vicente, o tupi de São Paulo se desenvolveu e se espalhou no século XVII, graças ao isolamento geográfico da cidade e à atividade pouco cristã dos mamelucos paulistas: as bandeiras, expedições ao sertão em busca de escravos índios. Muitos bandeirantes nem sequer falavam o português ou se expressavam mal. Domingos Jorge Velho, o paulista que destruiu o Quilombo dos Palmares em 1694, foi descrito pelo bispo de Pernambuco como “um bárbaro que nem falar sabe”. Em suas andanças, essa gente batizou lugares como Avanhandava (lugar onde o índio corre), Pindamonhangaba (lugar de fazer anzol) e Itu (cachoeira). E acabou inventando uma nova língua.

    “Os escravos dos bandeirantes vinham de mais de 100 tribos diferentes”, conta o historiador e antropólogo John Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas. “Isso mudou o tupi paulista, que, além da influência do português, ainda recebia palavras de outros idiomas.” O resultado da mistura ficou conhecido como língua geral do sul, uma espécie de tupi facilitado.

ANGELO. C. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 8 ago. 2012 (adaptado).

O texto trata de aspectos sócio-históricos da formação linguística nacional. Quanto ao papel do tupi na formação do português brasileiro, depreende-se que essa língua indígena

Segundo o texto, o papel da língua indígena no português brasileiro é mais perceptível nos topônimos de diversos lugares na região paulista, correntes na língua até hoje, como “Piratininga”, “Avanhandava”, “Pindamonhangaba”.


08
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

O farrista

    Quando o almirante Cabral

    Pôs as patas no Brasil

    O anjo da guarda dos índios

    Estava passeando em Paris.

    Quando ele voltou de viagem

    O holandês já está aqui.

    O anjo respira alegre:

    “Não faz mal, isto é boa gente,

    Vou arejar outra vez.”

    O anjo transpôs a barra,

    Diz adeus a Pernambuco,

    Faz barulho, vuco-vuco,

    Tal e qual o zepelim

    Mas deu um vento no anjo,

    Ele perdeu a memória...

    E não voltou nunca mais.

MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992

A obra de Murilo Merides situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu lírico que

A obra de Murilo Mendes pertence à fase heroica do modernismo brasileiro. Esse poema, em consonância com o ideário iconoclasta, demolidor dessa geração, remonta ao período colonial, mas, em vez de apresentá-lo sob uma perspectiva ufanista, idealizada, aponta aspectos a serem criticados, havendo uma dessacralização desse período histórico.


09
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    PROPAGANDA – O exame dos textos e mensagens de Propaganda revela que ela apresenta posições parciais, que refletem apenas o pensamento de uma minoria, como se exprimissem, em vez disso, a convicção de uma população; trata-se, no fundo, de convencer o ouvinte ou o leitor de que, em termos de opinião, está fora do caminho certo, e de induzi-lo a aderir às teses que lhes são apresentadas, por um mecanismo bem conhecido da psicologia social, o do conformismo induzido por pressões do grupo sobre o indivíduo isolado.

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: UnB, 1998 (adaptado).

De acordo com o texto, as estratégias argumentativas e o uso da linguagem na produção da propaganda favorecem a

A propaganda tem a intenção de persuadir o receptor a consumir um determinado produto. Para isso, apresenta posições parciais, representativas de grupos específicos, como se representassem a totalidade dos consumidores.


10
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Sítio Gerimum

    Este é o meu lugar [...]

    Meu Gerimum é com g

    Você pode ter estranhado

    Gerimum em abundância

    Aqui era plantado

    E com a letra g

    Meu lugar foi registrado.

OLIVEIRA, H. D. Língua Portuguesa. n. 88. fev. 2013 (fragmento)

Nos versos de um menino de 12 anos, o emprego da palavra “Gerimum" grafada com a letra “g” tem por objetivo

“Jerimum” é uma palavra de origem indígena, grafada com “j”. No poema, o eu lírico toma a liberdade poética de escrevê-la com “g”, a fim de reafirmar, por meio do discurso, sua relação estreita e afetiva com sua terra natal, onde abundavam “gerimuns”.


11
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

Criatividade em publicidade: teorias e reflexões

    Resumo: O presente artigo aborda uma questão primordial na publicidade: a criatividade. Apesar de aclamada pelos departamentos de criação das agências, devemos ter a consciência de que nem todo anúncio é, de fato, criativo. A partir do resgate teórico, no qual os conceitos são tratados à luz da publicidade, busca-se estabelecer a compreensão dos temas. Para elucidar tais questões, é analisada uma campanha impressa da marca XXXX. As re flexões apontam que a publicidade criativa é essencialmente simples e apresenta uma releitura do cotidiano.

DEPEXE, S.D. Travessias: Pesquisas em Educação. Cultura, Linguagem e Artes, n. 2, 2008.

TEXTO II

Homenagem ao Dia das Mães 2012. Disponível em: www.comunicacao.com. Acesso em: 3 ago. 2012 (adaptado).

Os dois textos apresentados versam sobre o tema criatividade. O Texto I é um resumo de caráter científico e o Texto II, uma homenagem promovida por um site de publicidade. De que maneira o Texto II exemplifica o conceito de criatividade em publicidade apresentado no Texto l?

O texto II explora a polissemia da palavra “criação”, tanto na acepção de “originalidade de algo”, quanto no sentido de “geração materna” (gerar, criar).


12
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio

    Há um medo por parte dos pais e de alguns professores de as crianças desaprenderem quando navegam, medo de elas viciarem, de obterem informação não confiável, de elas se isolarem do mundo real, como se o computador fosse um agente do mal, um vilão. Esse medo é reforçado pela mídia, que costuma apresentar o computador como um agente negativo na aprendizagem e na socialização dos usuários. Nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender quando navega, seja em ambientes digitais ou em materiais impressos, mas é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades diferentes daquelas que eles encontraram sozinhos ou daquelas que eles costumam usar. É preciso, algumas vezes, negociar o uso para que ele não seja exclusivo, uma vez que há outros meios de comunicação, outros meios de informação e outras alternativas de lazer. E uma questão de equilibrar e não de culpar.

COSCARELLI. C. V. Linguagem em (Dis)curso. n. 3. set.-dez. 2009.

A autora incentiva o uso da internet pelos estudantes, ponderando sobre a necessidade de orientação a esse uso, pois essa tecnologia

Neste texto, a autora reflete acerca da necessidade de que os estudantes, ao usarem a internet, sejam orientados em sua aprendizagem, para que possam fazer uso amplo do conhecimento de mundo que essa tecnologia torna acessível.


13
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    O mundo revivido Sobre esta casa e as árvores que o tempo esqueceu de levar. Sobre o curral de pedra e paz e de outras vacas tristes chorando a lua e a noite sem bezerros. Sobre a parede larga deste açude onde outras cobras verdes se arrastavam, e pondo o sol nos seus olhos parados iam colhendo sua safra de sapos. Sob as constelações do sul que a noite armava e desarmava: as Três Marias, o Cruzeiro distante e o Sete-Estrelo. Sobre este mundo revivido em vão, a lembrança de primos, de cavalos, de silêncio perdido para sempre.

DOBAL, H. A província deserta. Rio de Janeiro: Artenova. 1974.

No processo de reconstituição do tempo vivido, o eu lírico projeta um conjunto de imagens cujo lirismo se funda menta no

O eu lírico enumera lembranças da infância, como evocação de um inventário de memórias afetivas, como se nota, por exemplo, na segunda estrofe.


14
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    A ascensão social por meio do esporte mexe com o imaginário das pessoas, pois em poucos anos um adolescente pode se tornar milionário caso tenha um bom desempenho esportivo. Muitos meninos de famílias pobres jogam com o objetivo de conseguir dinheiro para oferecer uma boa qualidade de vida à família. Isso aproximou mais ainda o futebol das camadas mais pobres da sociedade, tornando-o cada vez mais popular.

    Acontece que esses jovens sonham com fama e dinheiro, enxergando no futebol o único caminho possível para o sucesso. No entanto, eles não sabem da grande dificuldade que existe no início dessa jornada em que a minoria alcança a carreira profissional. Esses garotos abandonam a escola pela ilusão de vencer no futebol, à qual a maioria sucumbe.

    O caminho até o profissionalismo acontece por meio de um longo processo seletivo que os jovens têm de percorrer. Caso não seja selecionado, esse atleta poderá ter que abandonar a carreira involuntariamente por falta de uma equipe que o acolha. Alguns podem acabar em subempregos, à margem da sociedade, ou até mesmo em vícios decorrentes desse fracasso e dessa desilusão. Isso acontece porque no auge da sua formação escolar e na condição juvenil de desenvolvimento, eles não se preparam e não são devidamente orientados para buscar alternativas de experiências mais amplas de ocupação fora e além do futebol.

BALZANO. O. N.; MORAIS, J. S. A formação do jogador de futebol e sua relação com a escola. EFDeportes, n. 172. set. 2012 (adaptado).

Ao abordar o fato de, no Brasil, muitos jovens depositarem suas esperanças de futuro no futebol, o texto critica o(a)

De acordo com o texto, os jovens, provenientes das camadas mais pobres da sociedade, almejam tanto uma carreira de sucesso no futebol que abandonam a escola na ilusão de vencer nesse esporte. Esses adolescentes não são devidamente orientados para buscar alternativa de experiências mais amplas de ocupação fora e além do futebol.


15
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Declaração de amor

    Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa Ela não é fácil. Não é maleável. [...] A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

    Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo em minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.

    Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

    Se eu fosse muda e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

LISPECTOR. C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro Rocco, 1999 (adaptado).

O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e sua capacidade de renovação, é:

A referência a Camões acentua o caráter patrimonial da Língua Portuguesa, mas essa herança não basta. A expressão individual e as mudanças de costumes exigem que se transponha o código clássico camoniano.


16
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

GOELDI. O. Sem título. Bico de pena, 29,4 x 24 cm. Coleção Ary Ferreira Macedo, circa 1940. Disponível em: http://revistacontemporartes.blogspot.com.br. Acesso em: 10 dez. 2012.

TEXTO II

    Na sua produção, Goeldi buscou refletir seu caminho pessoal e político, sua melancolia e paixão sobre os intensos aspectos mais latentes em sua obra, como: cidades, peixes, urubus, caveiras, abandono, solidão, drama e medo.

ZULIETTI, L. F. Goeldi: da melancolia ao inevitável. Revista de Arte, Mídia e Política. Acesso em: 24 abr. 2017 (adaptado).

O gravador Oswaldo Goeldi recebeu fortes influências de um movimento artístico europeu do início do século XX, que apresenta as características reveladas nos traços da obra de

O texto II, ao referir-se à imagem do texto I, destaca a preocupação de Goeldi em refletir na sua arte a realidade de forma patética e deformada, características do Expressionismo.


17
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

    A língua ticuna é o idioma mais falado entre os indígenas brasileiros. De acordo com o pesquisador Aryon Rodrigues, há 40 mil índios que falam o idioma. A maioria mora ao longo do Rio Solimões, no Alto Amazonas. É a maior nação indígena do Brasil, sendo também encontrada no Peru e na Colômbia. Os ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena e apresenta com plexidades em sua fonologia e sintaxe. Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz. O uso intensivo da língua não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça linguística.

Língua Portuguesa, n. 52, fev. 2010 (adaptado)

TEXTO II

    Riqueza da língua “O inglês está destinado a ser uma língua mundial em sentido mais amplo do que o latim foi na era passada e o francês é na presente", dizia o presidente americano John Adams no século XVIII. A profecia se cumpriu: o inglês é hoje a língua franca da globalização. No extremo oposto da economia linguística mundial, estão as línguas de pequenas comunidades declinantes. Calcula-se que hoje se falem de 6 000 a 7 000 línguas no mundo todo. Quase metade delas deve desaparecer nos próximos 100 anos. A última edição do Ethnologue – o mais abrangente estudo sobre as línguas mundiais –, de 2005, listava 516 línguas em risco de extinção.

Veja, n. 36, set 2007 (adaptado).

Os textos tratam de línguas de culturas completamente diferentes, cujas realidades se aproximam em função do(a)

No texto I, afirma-se que “a língua ticuna é o idioma mais falado entre os indígenas brasileiros”; no texto II, que “o inglês é hoje a língua franca da globalização”. Infere-se, portanto, que essas línguas de culturas diferentes, o ticuna e o inglês, aproximam-se por serem predominantes em relação a outras línguas.


18
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

As atrizes

    Naturalmente

    Ela sorria

    Mas não me dava trela

    Trocava a roupa

    Na minha frente

    E ia bailar sem mais aquela

    Escolhia qualquer um

    Lançava olhares

    Debaixo do meu nariz

    Dançava colada

    Em novos pares

    Com um pé atrás

    Com um pé a fim

    Surgiram outras

    Naturalmente

    Sem nem olhar a minha cara

    Tomavam banho

    Na minha frente

    Para sair com outro cara

    Porém nunca me importei

    Com tais amantes

    [...]

    Com tantos filmes

    Na minha mente

    É natural que toda atriz

    Presentemente represente

    Muito para mim

CHlCO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento).

Na Canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes que ele admira. A intensidade dessa admiração está marcada em:

A marca de subjetividade revela-se no emprego da primeira pessoa e na emoção manifesta em “muito para mim”, configurando a função emotiva.


19
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    E aqui, antes de continuar este espetáculo, é necessário que façamos uma advertência a todos e a cada um. Neste momento, achamos fundamental que cada um tome uma posição definida. Sem que cada um tome uma posição definida, não é possível continuarmos. É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita. Admitimos mesmo que alguns tomem uma posição neutra, fiquem de braços cruzados. Mas é preciso que cada um, uma vez tomada sua posição, fique nela! Porque senão, companheiros, as cadeiras do teatro rangem muito e ninguém ouve nada.

FERNANDES. M.; RANGEL. F. Liberdade. liberdade. Porto Alegre: L&PM. 2009.

A peça Liberdade, liberdade, encenada em 1964, apresenta o impasse vivido pela sociedade brasileira em face do regime vigente. Esse impasse é representado no fragmento pelo(a)

Há comparação sutil entre a posição dos espectadores no teatro e a posição ideológica dos brasileiros diante da instituição do regime militar. As palavras esquerda e direita fazem a correlação entre o ambiente vigente no teatro e o na sociedade brasileira.


20
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas.

    Mas foi uma noite, aquela noite de sábado 21 de outubro de 1967, que parou o nosso país. Parou pra ver a finalíssima do III Festival da Record, quando um jovem de 24 anos chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu carregado do Teatro Paramount em São Paulo depois de ganhar o prêmio máximo do festival com Ponteio, que cantou acompanhado da charmosa e iniciante Marília Medalha.

    Foi naquela noite que Chico Buarque entoou sua Roda viva ao lado do MPB-4 de Magro, o arranjador. Que Caetano Veloso brilhou cantando Alegria, alegria com a plateia ao som das guitarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil apresentou a tropicalista Domingo no parque com os Mutantes.

    Aquela noite que acabou virando filme, em 2010, nas mãos de Renato Terra e Ricardo Calil, agora virou livro. O livro que está sendo lançado agora é a história daquela noite, ampliada e em estado que no jargão jornalístico chamamos de matéria bruta. Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias – e algumas fofocas – que cada um tem para contar, agora sem os cortes necessários que um filme exige. E quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História.

VILLAS. A Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 18 jun. 2014 (adaptado).

Considerando os elementos constitutivos dos gêneros textuais circulantes na sociedade, nesse fragmento de resenha predominam

A revista Carta Capital divulgou uma resenha sobre o livro Uma Noite em 67 em que o jornalista dá parecer sobre o III Festival de Música de 1967.


21
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Apesar de muitas crianças e adolescentes terem a Barbie como um exemplo de beleza, um infográfico feito pelo site Rehabs, com comprovou que, caso uma mulher tivesse as medidas da boneca de plástico, ela nem estaria viva.

    Não é exatamente uma novidade que as proporções da boneca mais famosa do mundo são absurdas para o mundo real. Ativistas que lutam pela construção de uma autoimagem mais saudável, pesquisadores de distúrbios alimentares e pessoas que se preocupam com o impacto da indústria cultural na psique humana apontam, há anos, a influência de modelos como a Barbie na distorção do corpo feminino.

    Pescoço

    Com um pescoço duas vezes mais longo e 15 centímetros mais fino do que o da uma mulher, a Barbie seria incapaz de manter sua cabeça levantada.

    Cintura

    Com uma cintura de 40 centímetros (menor do que a sua cabeça), a Barbie da vida real só teria espaço em seu corpo para acomodar metade de um rim e alguns centímetros de intestino.

    Quadril

    O índice que mede a relação entre a cintura e o quadril da Barbie é de 0,56, o que significa que a medida da sua cintura representa 56% da circunferência de seu quadril. Esse mesmo índice, em uma mulher americana média é de 0,8.

Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 2 maio 2015.

Ao abordar as possíveis influências da indústria de brinquedos sobre a representação do corpo feminino, o texto analisa a

O texto apresentado faz uma crítica à busca da beleza a partir do exemplo da aparência da boneca Barbie, alertando sobre a impossibilidade de um indivíduo se manter vivo, caso adotasse as medidas proporcionais do corpo da boneca.


22
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Nuances

    Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa.

    Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão.

    Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais.

    Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.

    Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou no suco de abacaxi.

    Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele.

DUVIVIER G. Folha de S. Paulo, 24 mar. 2014 (adaptado).

O texto trata da diferença de sentido entre vocábulos muito próximos. Essa diferença é apresentada considerando-se a(s)

O autor, Gregório Duvivier, de maneira criativa e bem humorada, escolhe algumas palavras de sentido muito próximos e as define de acordo com o emprego desses vocábulos em situações cotidianas.


23
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Disponível em: www.agenciapatriciagalvao.org.br. Acesso em: 15 maio 2017 (adaptado).

Campanhas publicitárias podem evidenciar problemas sociais. O cartaz tem como finalidade

O informe publicitário traz um número de telefone que pode ser usado para denunciar a violência doméstica.


24
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

    Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou.

LIMA. C. H. R. Gramática normativa da lingua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio. 1989.

TEXTO II

    Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho –, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremula - mente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

PESSOA. F. O livro do desassossego. São Paulo: Braziliense, 1986.

A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comunicação. A função que predomina nos textos I e II

O texto I trata das regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores. O texto II, de Fernando Pessoa, revela a emoção com a leitura de determinados escritores, “os retornos verbais”, “na sua fria perfeição de engenharia sintática”, portanto, ambos os textos são metalinguísticos, sendo “o código utilizado o seu próprio objeto”.


25
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Contranarciso

    em mim

    eu vejo o outro

    e outro

    e outro

    enfim dezenas

    trens passando

    vagões cheios de gente

    centenas

    o outro

    que há em mim

    é você

    você

    e você

    assim como

    eu estou em você

    eu estou nele

    em nós

    e só quando

    estamos em nós

    estamos em paz

    mesmo que estejamos a sós

LEMINSKI. P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras. 2013.

A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a

O poema de Leminski trata das relações sociais “estou com você”, “em nós” e da empatia necessária para essa troca entre “mim” e “o outro”. O título “Contranarciso” confirma essa relação de alteridade.


26
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    No esporte-participação ou esporte popular, a manifestação ocorre no princípio do prazer lúdico, que tem como finalidade o bem-estar social dos seus praticantes. Está associado intimamente com o lazer e o tempo livre e ocorre em espaços não comprometidos com o tempo e fora das obrigações da vida diária. Tem como propósitos a descontração, a diversão, e desenvolvimento pessoal e o relacionamento com as pessoas. Pode-se afirmar que o esporte-participação, por ser a dimensão social do esporte mais inter-relacionada com os caminhos democráticos, equilibra o quadro de desigualdades de oportunidades esportivas encontrado na dimensão esporte-perfomance. Enquanto o esporte-performance só permite sucesso aos talentos ou àqueles que tiveram condições, o esporte-participação favorece o prazer a todos que dele desejarem tomar parte.

GODTSFRIEDT, J. Esporte e sua relação com a sociedade: uma síntese bibliográfica. EFDeportes, n. 142. mar. 2010.

O sentido de esporte-participação construído no texto está fundamentalmente presente

O esporte-participação é construído no texto como uma modalidade esportiva de inclusão e engajamento através da atividade lúdica.


27
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Segundo quadro

    Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa.

    ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me elegeu.

    Aplausos vêm de fora.

    ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do cemitério.

    Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.

    ODORICO – (Continuando o discurso:) Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na hora da extremaunção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido.

    GOMES. D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a

O Bem-amado, peça teatral de Dias Gomes, tem como personagem central o Coronel Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira que, para cumprir a promessa de sua campanha eleitoral, vale-se de estratégias desonestas, manipulando as populações por meio de uma linguagem empolada, registro de um certo comportamento comum das figuras públicas no Brasil.


28
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado publica - mente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?

Disponível em: http://adorocinema.com. Acesso em: 4 out. 2011.

Qual aspecto da organização gramatical atualiza os eventos apresentados na resenha, contribuindo para despertar o interesse do leitor pelo filme?

O emprego dos verbos no presente (“permite”, “faça”, “retorna”, “descobre”, “precisa”, “tenha”) atualiza a narrativa sobre o filme, conferindo vivacidade ao relato e despertando o interesse do leitor.


29
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Época, n 698, 3 out. 2011 (adaptado).

Os textos publicitários são produzidos para cumprir determinadas funções comunicativas. Os objetivos desse cartaz estão voltados para a conscientização dos brasileiros sobre a necessidade de

A propaganda enfatiza a conscientização sobre a necessidade de formação leitora na infância.


30
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Aí pelas três da tarde

    Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos., dê um largo "ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento.

NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras. 1997.

Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias argumentativas referem-se a recursos linguístico-discursivos mobilizados para envolver o leitor. No texto, caracteriza-se como estratégia de envolvimento a

A explicitação do interlocutor ocorre no emprego da palavra você. O emprego desse pronome é um recurso retórico para envolver o leitor.


31
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

VALENTIM, R. Emblema 78. Acrílico sobre tela. 73 x 100 cm. 1978. Disponível em: www. espacoarte.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012.

A obra de Rubem Valentim apresenta emblema que, baseando-se em signos de religiões afro-brasileiras, se transformam em produção artística. A obra Emblema 78 relaciona-se com o Modernismo em virtude da

A geometrização da pintura provém da vanguarda europeia, como se nota em Emblema 78, em que se representam esteticamente signos de religiões afro-brasileiras. Esse sincretismo ocorre também na produção literária do Modernismo brasileiro, como Macunaíma, de Mário de Andrade, e Poesia Pau Brasil, de Oswald de Andrade, entre outras obras.


32
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

ERNESTO NETO. Dengo. 2010. MAM-SP, 2010. Disponível em: http://espacohumus.com. Acesso em: 25 abr. 2017.

A instalação Dengo transformou a sala do MAM-SP em um ambiente singular, explorando como principal característica artística a

Dengo, do artista plástico Ernesto Neto, é uma instalação que permite ao público uma interação com os componentes da obra, o que se pode perceber na fotografia apresentada, uma vez que há pessoas se movimentando em meio às peças.


33
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Naquela manhã de céu limpo e ar leve, devido à chuva torrencial da noite anterior, sai a caminhar com o sol ainda escondido para tomar tenência dos primeiros movimentos da vida na roça. Num demorou nem um tiquinho e o cheiro intenso do café passado por Dona Linda me invadiu as narinas e fez a fome se acordar daquela rema letárgica derivada da longa noite de sono. Levei as mãos até a água que corria pela bica feita de bambu e o contato gelado foi de arrepiar. Mas fui em frente e levei as mãos em concha até o rosto. Com o impacto, recuei e me faltou o fôlego por alguns instantes, mas o despertar foi imediato. Já aceso, entrei na cozinha na buscação de derrubar a fome e me acercar do aconchego do calor do fogão à lenha. Foi quando dei reparo da figura esguia e discreta de uma senhora acompanhada de um garoto aparentando uns cinco anos de idade já aboletada na ponta da mesa em proseio íntimo com a dona da casa. Depois de um vigoroso “Bom dia!”, de um vaporoso aperto de mãos nas apresentações de praxe, fiquei sabendo que Dona Flor de Maio levava o filho Adão para tratamento das feridas que pipocavam por seu corpo, provocando pequenas pústulas de bordas avermelhadas.

GUIÃO, M. Disponível em: www.revistaecologico.com.br. Acesso em: 10 mar. 2014 (adaptado).

A variedade linguística da narrativa é adequada à descrição dos fatos. Por isso, a escolha de determinadas palavras e expressões usadas no texto está a serviço da

M. Guião apresenta em seu texto a realidade do campo. Para dar verossimilhança a esse relato, utiliza vocábulos que se afastam do padrão culto, aproximando-se do contexto retratado (“tiquinho”, “buscação, “proseio”).


34
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    Zé Araújo começou a cantar num tom triste, dizendo aos curiosos que começaram a chegar que uma mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa cruz e jurado em nome de Jesus um grande amor, mas jurou e não cumpriu, fingiu e me enganou, pra mim mentiu, pra Deus você pecou, o coração tem razões que a própria razão desconhece, faz promessas e juras, depois esquece. O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção que arrepiou os cabelos da Neusa, emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena. Era a história de uma boneca encantadora vista numa vitrine de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo fechava os olhos e soltava a voz: Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de amor./ Seus olhos eram circúnvagos/ Do romantismo azul dos lagos/ Mãos liriais, uns braços divinais,/ Um corpo alvo sem par/ E os pés muito pequenos/ Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita Vênus.

CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo. São Paulo: Arx, 2006 (adaptado)

O comentário do narrador do romance “[...]emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena” relaciona-se ao fato de que essa valsa é representativa de uma variedade linguística

A valsa cantada pelo personagem Zé Araujo, “cheia de palavras difíceis” é representativa da norma culta, portanto, “detentora de grande prestígio social”.


35
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    A lavadeira começou a viver como uma serviçal que impõe respeito e não mais como escrava. Mas essa regalia súbita foi efêmera. Meus irmãos, nos frequentes deslizes que adulteravam este novo relacionamento, geram dardejados pelo olhar severo de Emilie; eles nunca suportaram de bom grado que uma índia passasse a comer na mesa da sala, usando os mesmos talheres e pratos, e comprimindo com os lábios o mesmo cristal dos copos e a mesma porcelana das xícaras de café. Uma espécie de asco e repulsa tingia-lhes o rosto, já não comiam com a mesma saciedade e recusavam-se a elogiar os pastéis de picadinho de carneiro, os folheados de nata e tâmara, e o arroz com amêndoas, dourado, exalando um cheiro de cebola tostada. Aquela mulher, sentada e muda, com o rosto rastreado de rugas, era capaz de tirar o sabor e o odor dos alimentos e de suprimir a voz e o gesto como se o seu silêncio ou a sua presença que era só silêncio impedisse o outro de viver.

HATOUM. M. Relato de um certo Oriente. São Paulo: Cia das Letras, 2000.

Ao apresentar uma situação de tensão em família, o narrador destila, nesse fragmento, uma percepção das relações humanas e sociais demarcada pelo

Os irmãos do narrador não aceitam o fato de uma escrava (índia) passar a viver como serviçal e sentar-se à mesa com a família. Nota-se nessa postura a manutenção dos estigmas de classe e de raça.


36
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Revista Bolsa, 1986. In: CARRASCOZA. J. A. A evolução do texto publicitário: a associação de palavras como elemento de sedução na publicidade. São Paulo: Futura. 1999 (adaptado).

Nesse cartaz publicitário de uma empresa de papel e celulose, a combinação dos elementos verbais e não verbais visa

O cartaz publicitário busca associar a imagem de uma floresta sustentável à produção de livros literários, construindo, assim, a imagem positiva do anunciante.


37
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

Fim de semana no parque

 Olha o meu povo nas favelas e vai perceber

 Daqui eu vejo uma caranga do ano

 Toda equipada e o tiozinho guiando

 Com seus filhos ao lado estão indo ao parque

 Eufóricos brinquedos eletrônicos

 Automaticamente eu imagino

 A molecada lá da área como é que tá

 Provavelmente correndo pra lá e pra cá

 Jogando bola descalços nas ruas de terra

 É, brincam do jeito que dá [...]

 Olha só aquele clube, que da hora

 Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha

 Olha quanta gente Tem sorvetena, cinema, piscina quente

 [...]

 Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo

 Pra molecada frequentar nenhum incentivo

 O investimento no lazer é muito escasso

 O centro comunitário é um fracasso

RAClONAlS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 (fragmento).

A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que

Em “Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo” e em “O investimento no lazer é muito escasso”, nota-se a crítica à condição desigual no que se refere ao investimento no lazer e à falta de infraestrutura (“nenhum clube poliesportivo”). Os desvalidos não têm o mesmo tipo de lazer oferecido à classe privilegiada.


38
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

SPETO. Grafite. Museu Afro Brasil, 2009. Disponível em: www.diariosp.com.br. Acesso em: 25 set. 2015.

TEXTO II

Speto

   Paulo César Silva, mais conhecido como Speto, é um grafiteiro paulista envolvido com o skate e a música. O fortalecimento de sua arte ocorreu, em 1999, pela oportunidade de ver de perto as referências que trazia há tempos, ao passar por diversas cidades do Norte do Brasil em uma turnê com a banda O Rappa.

Revista Zupi. n. 19, 2010.

O grafite do artista paulista Speto, exposto no Museu Afro Brasil, revela elementos da cultura brasileira reconhecidos

O texto da Revista Zupi destaca o fortalecimento que a arte de Speto obteve durante sua passagem pelo Norte do Brasil, onde pôde “ver de perto as referências que trazia há tempos”. Nota-se essa influência no texto I, que reproduz um grafite do artista. Nela, nota-se que seu traço se assemelha à impressão em xilogravura, típica do contexto cultural do Norte e do Nordeste brasileiro.


39
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

    O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você, Não sou daqui, Anda à procura de comida, Sim, há quatro dias que não comemos, E como sabe que são quatro dias, É um cálculo, Está sozinha, Estou com o meu marido e uns companheiros, Quantos são, Ao todo, sete; Se estão a pensar em ficar conosco, tirem dai o sentido, já somos muitos, Só estamos de passagem, Donde vêm, Estivemos internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a quarentena, não serviu de nada. Porque diz isso, Deixaram-nos sair, Houve um incêndio e nesse momento percebemos que os soldados que nos vigiavam tinham desaparecido, E saíram, Sim, Os vossos soldados devem ter sido dos últimos a cegar, toda a gente está cega, Toda a gente, a cidade toda, o país.

SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia. das Letras. 1995.

A cena retrata as experiências das personagens em um país atingido por uma epidemia. No diálogo, a violação de determinadas regras de pontuação

A pontuação não convencional é marca estilística de J. Saramago. No trecho em questão, a situação caótica se dá por meio de diálogos entrecortados que, postos em um período longo, são marcados pela letra maiúscula sem que haja ponto final precedente.


40
(ENEM 2017 - 1ª Aplicação).

TEXTO I

RAUSCHENBERG. R. Cama. Óleo e lápis em travesseiro, colcha e folha em suporte de madeira. 191,1 x 80 x 20,3 cm.

Museu de Arte Moderna de Nova York. 1995 Disponível em: www.moma.org. Acesso em: 8 Jun 2017.

TEXTO II

    No verão de 1954, o artista Robert Rauschenberg (n. 1925) criou o termo combine para se referir a suas novas obras que possuíam aspectos tanto da pintura como da escultura.

    Em 1958, Cama foi selecionada para ser incluída em uma exposição de jovens artistas americanos e italianos no Festival dos Dois Mundos em Spoleto, na ltália. Os responsáveis pelo festival, entretanto, se recusaram a expor a obra e a removeram para um depósito.

    Embora o mundo da arte debatesse a inovação de se pendurar uma cama numa parede, Rauschenberg considerava sua obra “um dos quadros mais acolhedores que já pintei, mas sempre tive medo de que ninguém quisesse se enfiar nela”.

DEMPSEY. A. Estilos, escolas e movimentos: guia enciclopédico da arte moderna. São Paulo: Cosac & Naify. 2003.

A obra de Rauschenberg chocou o público na época em “que foi feita e recebeu forte influência de um movimento artístico que se caracterizava pela

Rauschenberg deslocou a cama do uso cotidiano para ressignificá-la, tanto insólita quanto artisticamente. Trata-se de um procedimento criado pelos dadaístas e que ficou consagrado como ready-made.





Nenhum comentário:

Postar um comentário