(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos de 1920 apenas com atletas homens. A primeira atleta mulher brasileira a competir nos Jogos Olímpicos foi a nadadora Maria Lenk, em 1932. Até a edição de Montreal (1976), o número de atletas mulheres na delegação brasileira não chegava a dez. Em Moscou (1980), o Brasil levou 15 mulheres. Depois foram 22 em Los Angeles (1984) e 35 em Seul (1988). Em Tóquio (2020), foram 145 mulheres (45% do total da delegação). Levou 64 anos, desde a participação de Maria Lenk, para que atletas brasileiras subissem ao pódio, em Atlanta (1996). As mulheres do Brasil já tinham superado os homens em medalhas de ouro nos Jogos de Londres (2012) e do Rio (2016). O melhor desempenho de mulheres em Jogos Olímpicos, até Paris (2024), foi nos Jogos de Tóquio (2021), com nove medalhas, sendo três de ouro.
Disponível em: https://investnews.com.br. Acesso em: 18 set. 2024 (adaptado).
A participação das mulheres brasileiras nos Jogos Olímpicos revela o(a)
O texto apresenta uma evolução histórica marcada por exclusão e atraso na participação feminina nos Jogos Olímpicos pelo Brasil:
• Em 1920, só homens participaram.
• A primeira mulher competiu apenas em 1932.
• Até 1976, havia menos de dez mulheres nas delegações.
• Foram necessários 64 anos para que mulheres brasileiras conquistassem medalhas.
• Somente recentemente houve equilíbrio numérico e superação dos homens em medalhas.
Esses dados evidenciam que a presença feminina foi limitada por muito tempo, não por falta de interesse ou capacidade, mas por barreiras estruturais e históricas, típicas da desigualdade de gênero no esporte.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

NESTI, F. Os lusíadas em quadrinhos. São Paulo: Peirópolis, 2006.
Esse texto faz parte da adaptação da obra Os lusíadas, de Luís de Camões, narrativa épica sobre a expansão marítima portuguesa. O texto configura-se como sumário, pois os(as)
Na imagem:
• Aparece explicitamente o título “Sumário”.
• As partes da obra estão listadas (Introdução, Cantos, Ilha dos Amores, Epílogo, Posfácio e Biografia).
• Cada uma delas vem acompanhada de numeração de páginas (ex.: “Introdução – 05”, “Ilha dos Amores – 135”).
Isso corresponde à definição clássica de sumário, que é a enumeração ordenada das partes de uma obra, com indicação da página em que se iniciam.
Portanto, alternativa "A".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
TEXTO I
Ai, que saudades da AméIia
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê você quer
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
[...]
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era a mulher de verdade
LAGO, M.; ALVES, A. ln: LAGO, M. Mário Lago: 90 anos. São Paulo: Revivendo Discos, 2001 (fragmento).
TEXTO II
Desconstruindo Amélia
Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme, ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
[...]
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa,
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende o porquê
Tem talento de equilibrista
Ela é muitas, se você quer saber
Hoje aos trinta é melhor que aos dezoito
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra night ferver
PITTY. Chiaroscuro. Rio de Janeiro: Deckdisc, 2009 (fragmento).
Embora os textos I e II abordem condições de vida da mulher, representada na figura de Amélia, distancia-os o fato de somente o texto II apresentar
Os dois textos tratam da figura feminina chamada Amélia, mas sob perspectivas opostas:
• Texto I apresenta a Amélia idealizada como a mulher submissa, sem vaidade, ligada exclusivamente ao lar e à renúncia pessoal — um modelo tradicional, restrito ao espaço doméstico.
• Texto II, ao contrário, propõe a desconstrução dessa imagem. Embora a mulher ainda apareça cuidando da casa e da família, ela rompe com esse limite, passa a se cuidar, reivindica autonomia, questiona desigualdades salariais, circula por outros espaços (trabalho, vida social, lazer) e afirma sua identidade múltipla.
É justamente essa superação do papel exclusivamente doméstico que aparece somente no Texto II, o que diferencia os dois.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

OHTAKE, T. Escultura em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa. Aço-carbono, 15 × 20 m. Parque Municipal Roberto Mário Santini, Santos, 2008. Disponível em: https://casacor.abril.com.br. Acesso em: 26 dez. 2024.
Tomie Ohtake é uma artista nipo-brasileira reconhecida por suas esculturas monumentais. Essa obra, exposta na orla de Santos, em São Paulo, caracteriza-se pela
A escultura monumental de Tomie Ohtake está instalada em espaço público, na orla de Santos, fora de museus ou galerias. Ao ocupar um local de circulação cotidiana, a obra:
• torna a arte acessível a todos, independentemente de ingresso ou mediação institucional;
• dialoga com a paisagem urbana e com a memória da imigração japonesa;
• reforça a ideia de arte pública, característica marcante da produção de Ohtake.
Por isso, a obra se caracteriza pela democratização da arte, ao integrar-se diretamente ao espaço urbano.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Com o anúncio da lista oficial de indicações ao Oscar 2024, o fato de Margot Robbie e Greta Gerwig, respectivamente a estrela e a diretora de Barbie — fenômeno do entretenimento em 2023 — terem sido esnobadas chamou a atenção e causou revolta nos fãs do filme sobre a boneca mais famosa do mundo. Produtora-executiva e uma das idealizadoras de Barbie, Margot Robbie não foi indicada como melhor atriz. Greta Gerwig também foi preterida pela Academia. A única mulher a concorrer ao prêmio de melhor direção foi Justine Triet, por Anatomia de uma queda, que disputou com quatro homens.
Em contrapartida, Ryan Gosling, intérprete de Ken em Barbie, conquistou uma vaga na categoria de melhor ator. A grande ironia por trás da indicação de Gosling é que seu personagem, Ken, prefere viver no mundo real justamente porque lá os homens são mil vezes mais valorizados do que no mundo perfeito de Barbie, onde as mulheres reinam.
Disponível em: https://revistamonet.globo.com. Acesso em: 2 fev. 2024 (adaptado).
Ao tratar de indicações ao Oscar, esse texto busca
O texto destaca a contradição e a desigualdade de gênero nas indicações ao Oscar 2024:
• Margot Robbie (atriz e produtora) e Greta Gerwig (diretora), figuras centrais do sucesso de Barbie, não foram indicadas;
• apenas uma mulher concorreu à categoria de melhor direção;
• enquanto isso, Ryan Gosling foi indicado, reforçando a ironia apontada pelo próprio enredo do filme, que critica a valorização excessiva dos homens.
Essa articulação evidencia uma crítica ao sexismo estrutural no cinema e nas premiações, que tendem a reconhecer menos o trabalho feminino, mesmo em produções de grande impacto cultural.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Como as coisas mudam rápido. Sempre tivemos fofocas de família, trabalho e vizinhança, e a missa dominical para nos manter na linha. Depois surgiram as falas dos governantes no rádio, uma forma de comunicação em massa. Mais tarde, a TV, a internet, e depois a bagunça global: se perguntarmos ao ChatGPT sobre as principais tecnologias que impulsionam essa revolução, ele mencionará inteligência artificial e aprendizado de máquina; robótica e automação; internet das coisas; impressão 3D; blockchain; realidade virtual e aumentada; redes 5G; computação quântica; big data e cibersegurança.
Dizer que tudo isso é de tirar o fôlego é um comentário preciso. Nossa atenção é invadida por todos os sentidos, estamos grudados em todos os tipos de telas. Posso tentar ler um artigo sensato sobre um assunto que me interessa, mas vou ter pequenas telas aparecendo, estorvando meus esforços para me concentrar. Não são interesses econômicos tentando chamar minha atenção para coisas úteis: é a batalha econômica pelo meu tempo.
DOWBOR, L. Disponível em: https://outraspalavras.net. Acesso em: 24 jan. 2024.
Esse texto critica o controle que as novas tecnologias exercem sobre a(s)
O autor critica como as novas tecnologias disputam a atenção das pessoas, invadindo todos os momentos do cotidiano por meio de múltiplas telas e estímulos constantes. Quando afirma que não se trata de interesses úteis, mas de uma “batalha econômica pelo meu tempo”, o texto evidencia a perda de controle individual sobre como o tempo é administrado.
Assim, o foco da crítica não está na tecnologia em si, mas no modo como ela passa a controlar o ritmo da vida e a atenção, afetando diretamente a gestão pessoal do tempo.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Carta aberta para os fãs do Caetano Veloso
Já começo dizendo que sou um de vocês. Tenho as obras do Caetano como trilha sonora de diversos momentos e fases da minha vida e posso afirmar que esse catálogo também faz parte da minha formação como artista e como pessoa.
Por conta disso, ou apesar disso, me vejo hoje com o privilégio de poder chamar meu ídolo de “meu amigo” e (re)apresentar pro mundo parte desse extenso e rico repertório, agora, em forma de samba.
Nosso álbum, Xande canta Caetano, a partir de agora, se apresenta como uma turnê, e eu venho humildemente convidar cada um de vocês a assistir de perto a essa homenagem ao nosso grande ídolo.
Vejo vocês Brasil afora.
Com carinho e respeito,
Xande de Pilares.
Disponível em: www.facebook.com. Acesso em: 4 maio 2024 (adaptado).
Esse texto é apresentado como uma carta aberta. Contudo, sua função social mostra-se ampliada porque cumpre uma finalidade
Embora o texto seja apresentado no formato de carta aberta, sua função social vai além do simples diálogo com os fãs. O autor:
• divulga o álbum Xande canta Caetano;
• anuncia que o projeto se transforma em turnê;
• convida explicitamente o público a assistir aos shows.
Esses elementos caracterizam uma finalidade promocional, típica de textos que buscam divulgar produtos culturais (álbum, turnê, espetáculo), mesmo quando assumem um tom afetivo e pessoal.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Como abater uma nuvem a tiros
sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais, os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais
LEMINSKI, P. In: CESAR, A. C. et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
O poema de Paulo Leminski filia-se à geração da chamada poesia marginal, produzida por artistas que fugiam dos padrões estabelecidos pela elite literária. Nesse texto, a expressão dessa poética fundamenta-se na
O poema de Paulo Leminski apresenta características centrais da poesia marginal, como:
• fragmentação das imagens (“sirenes”, “bares em chamas”, “carros se chocando”, “hospitais”);
• versos livres, sem métrica regular ou rimas fixas;
• linguagem direta, urbana e impactante, que constrói uma sensação de caos e simultaneidade, típica da vida nas grandes cidades.
Esses recursos estéticos rompem com os padrões da poesia tradicional e expressam uma visão crítica e sensorial da realidade urbana contemporânea, alinhando o poema à proposta da poesia marginal.
Portanto, alternativa "A".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Emojis que só a geração Z utiliza nas redes sociais
Os emojis ganharam novos usos com a geração Z, os jovens nascidos entre o final da década de 1990 e 2010. Veja a seguir alguns exemplos.
Caveira (💀)
Originalmente símbolo de morte, agora usado para expressar algo extremamente engraçado. A geração Z o utiliza em contextos humorísticos, muitas vezes adicionando o emoji de lápide ( ) para enfatizar o riso.
Palhaço (🤡)
Anteriormente apenas um palhaço, agora indica situações tolas, absurdas ou vergonhosas. É utilizado quando alguém comete um erro bobo ou esquece algo importante.
Polegar para cima (👍)
Símbolo de aprovação que agora pode transmitir indiferença ou sarcasmo, especialmente em resposta a esforços mínimos de outras pessoas.
Mãos juntas (🙏)
Utilizado para high five ou oração, agora também expressa gratidão ou pedidos, como ingressos para eventos.
Disponível em: https://movimentopb.com.br. Acesso em: 15 set. 2024 (adaptado).
Segundo esse texto, a geração Z tem usado emojis, uma tecnologia de símbolos, para
O texto mostra que a geração Z atribui novos significados a emojis já existentes, alterando seus sentidos originais:
• a caveira, antes ligada à morte, passa a indicar algo muito engraçado;
• o palhaço deixa de ser apenas figurativo e passa a expressar vergonha ou tolice;
• o polegar para cima assume tom irônico ou sarcástico;
• as mãos juntas ampliam seus usos comunicativos.
Esses exemplos evidenciam que os emojis são usados para ressignificar mensagens, transformando a forma como os sentidos são construídos na comunicação digital.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O perfil epidemiológico e os problemas de saúde da população brasileira mudaram ao longo do último século. Estudos longitudinais têm mostrado diminuição na mortalidade infantil, bem como melhorias nos níveis educacionais, aumento da cobertura de saneamento básico, melhorias nas habitações e aumento nas coberturas de vacinação. Essas mudanças contribuíram para o aumento na expectativa de vida da população. No entanto, de forma concomitante, houve aumento do excesso de peso corporal e da morbidade e mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis. Atualmente, no Brasil, mais de 50% dos adultos têm excesso de peso, 14,8% são tabagistas e 79,8% não consomem pelo menos cinco porções diárias de frutas, verduras ou legumes. As doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, renais, o diabetes e os cânceres são as principais causas de morte, hoje, no país. Além disso, inquéritos feitos em amostras de adultos das capitais brasileiras têm indicado que 60% deles não praticam nenhum tipo de atividade física no lazer e cerca de 85% das pessoas não praticam pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
FLORINDO, A. A. Promoção da atividade física e da alimentação saudável e a saúde da família em municípios com academia da saúde. Revista Brasileira Educação Física Esporte, n. 4, out-dez. 2016 (adaptado).
Os dados apresentados no texto indicam uma contradição que opõe a melhoria em indicadores socias ao(à)
O enunciado pede a contradição indicada pelos dados do texto, ou seja, algo que melhorou mas convive com um cenário problemático.
O texto afirma que houve:
• aumento da cobertura vacinal (indicador positivo),
• porém, crescimento das doenças crônicas não transmissíveis, associadas a hábitos de vida inadequados (sedentarismo, má alimentação, tabagismo).
A contradição está no fato de que, mesmo com alta cobertura vacinal — tradicionalmente associada à melhoria das condições de saúde —, a população apresenta elevados índices de adoecimento e mortalidade por causas que não são prevenidas por vacinas, mas por mudanças de comportamento.
👉 Assim, o texto opõe:
• avanço da cobertura vacinal
• persistência/agravamento de problemas de saúde da população
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O diplomático
Era solteiro, por obra das circunstâncias, não de vocação. Em rapaz teve alguns namoricos de esquina, mas com o tempo apareceu-lhe a comichão das grandezas, e foi isto que lhe prolongou o celibato até os quarenta e um anos, em que o vemos. Cobiçava alguma noiva superior a ele e à roda em que vivia, e gastou o tempo em esperá-la. Chegou a frequentar os bailes de um advogado célebre e rico, para quem copiava papéis, e que o protegia muito. Tinha nos bailes a mesma posição subalterna do escritório; passava a noite vagando pelos corredores, espiando o salão, vendo passar as senhoras, devorando com os olhos uma multidão de espáduas magníficas e talhes graciosos. Invejava os homens, e copiava-os. Saía dali excitado e resoluto. Em falta de bailes, ia às festas de igreja, onde poderia ver algumas das primeiras moças da cidade. Também era certo no saguão do paço imperial, em dia de cortejo, para ver entrar as grandes damas e as pessoas da corte, ministros, generais, diplomatas, desembargadores, e conhecia tudo e todos, pessoas e carruagens. Voltava da festa e do cortejo, como voltava do baile, impetuoso, ardente, capaz de arrebatar de um lance a palma da fortuna.
O pior é que entre a espiga e a mão há o tal muro do poeta, e o Rangel não era homem de saltar muros. De imaginação fazia tudo, raptava mulheres e destruía cidades. Mais de uma vez foi, consigo mesmo, ministro de Estado, e fartou-se de cortesias e decretos. Chegou ao extremo de aclamar-se imperador, um dia, dois de dezembro, ao voltar da parada no Largo do Paço; imaginou para isso uma revolução em que derramou algum sangue, pouco, e uma ditadura benéfica, em que apenas vingou alguns pequenos desgostos de escrevente. Cá fora, porém, todas as suas proezas eram fábulas. Na realidade, era pacato e discreto.
ASSIS, M. de. 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Cia. das Letras, 2007.
O trecho desse conto de Machado de Assis manifesta o ideário realista do século XIX ao
O trecho revela características centrais do Realismo do século XIX, especialmente em Machado de Assis:
• o foco não está em heróis idealizados, mas em um personagem comum, limitado socialmente;
• Rangel vive entre ambições de ascensão social e a incapacidade prática de realizá-las;
• há uma análise psicológica e irônica de sua frustração: grandes feitos só existem na imaginação, enquanto na realidade ele é “pacato e discreto”.
Essa oposição entre sonho e realidade, associada à crítica às ilusões de prestígio e mobilidade social, evidencia o comportamento de uma classe social frustrada, típico do olhar realista.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Das mais de mil línguas indígenas que eram faladas no território brasileiro há 500 anos, é provável que você conheça apenas palavras soltas, incorporadas ao vocabulário do português brasileiro. Mas proliferam pelo país iniciativas que querem resgatar e valorizar esses idiomas. O Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP) inauguraram um centro de documentação para pesquisa, preservação e difusão desses saberes originários.
Segundo o IBGE, há 274 línguas indígenas faladas por pessoas que pertencem a 305 etnias diferentes no Brasil contemporâneo. Contudo, o número pode ser menor porque os critérios que diferem uma nova língua de um dialeto variam conforme a abordagem. Em um artigo publicado em 1993, calculava-se serem 180 à época. Uma professora da USP diz que há hoje 154 línguas indígenas faladas no país. Porém, quando os portugueses chegaram ao território, acredita-se que eram falados de 1 000 a 1 500 idiomas, de quatro grandes troncos linguísticos: aruak, karib, tupi e macro-jê. Metade das línguas indígenas do Brasil contam hoje com menos de 500 falantes, cerca de 40 línguas têm menos de 100 falantes e quase 30 têm menos de 20 falantes.
VEIGA, G. Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 2 out. 2025 (adaptado).
Para destacar a importância de línguas indígenas como patrimônio linguístico brasileiro, esse texto
Para destacar a importância das línguas indígenas como patrimônio linguístico, o texto enfatiza uma ação institucional concreta: a criação, pelo Museu da Língua Portuguesa e pelo MAE-USP, de um centro de documentação voltado à pesquisa, preservação e difusão desses saberes originários.
Os dados numéricos sobre quantidade de línguas, falantes e risco de desaparecimento funcionam como argumento para reforçar a relevância desse espaço de memória e estudo, mas o destaque central está na iniciativa de preservação.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O cara que corta cabelo, inclusive, pode nos jogar os búzios, caso desejemos; pode, também, colocar a cerâmica da nossa casa, caso precisemos; e pode, ainda, pegar um cavaquinho e um microfone para nos mostrar o samba de verdade, caso o desconheçamos. É que ele sabe fazer várias coisas da vida, e está sempre a aprender coisas novas, não por boniteza, mas por precisão, como diria Guimarães Rosa. Ele está em construção, assim como eu, que tento concluir o ensino médio aos trinta e dois anos, também estou em construção. Na verdade, todos por aqui estão em construção. Não só todos, como tudo. Por todo lado o que vemos, o que mais se vê são casas de alvenaria erguidas até a metade. Mesmo paredes completas esperam reboco. Mesmo paredes rebocadas esperam pintura. Nada nunca está pronto. Ninguém nunca está pronto.
FALERO, J. Mas em que mundo tu vive?: crônicas. São Paulo: Todavia, 2021.
A estratégia utilizada pelo autor para desenvolver a temática desse texto é a
O autor desenvolve a temática ao estabelecer uma analogia entre as pessoas e o lugar onde vivem. A ideia de estar “em construção” aparece tanto:
• nos sujeitos (o narrador, o barbeiro, os moradores, todos aprendendo e se transformando);
• quanto no espaço urbano periférico, marcado por casas inacabadas, paredes sem reboco ou pintura.
Esse paralelismo reforça a noção de que nada está pronto — nem as construções físicas, nem as trajetórias humanas —, estratégia central para dar unidade e profundidade ao texto.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia.
Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. […] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?
Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor?
E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.
Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 2005.
As reflexões do narrador-personagem, no desfecho da narrativa, implicam a compreensão da
No desfecho do texto, o narrador-personagem passa por uma transformação interior. Inicialmente, ele se vê como incapaz de compreender a leitura, comparando-se negativamente aos astrônomos. No entanto, ao persistir e retomar o texto, percebe que, mesmo não alcançando saberes abstratos (“os segredos do céu”), é profundamente tocado pelas histórias humanas, marcadas por sofrimento, medo e emoção.
Essa experiência revela que a leitura:
• amplia sua sensibilidade;
• modifica sua forma de perceber o mundo;
• permite uma compreensão mais profunda da condição humana.
Assim, a reflexão final aponta para o poder da literatura em transformar a visão de mundo do leitor, mesmo diante de limitações iniciais.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
TEXTO I
Antes do século 19, época em que as fábricas de porcelana europeias conseguiam produzir bens baratos e de alta qualidade, as gravuras e cerâmicas daquele continente, principalmente estatuetas de figuras humanas, animais e pássaros, eram levadas à China, para serem copiadas e transformadas em serviços de mesa e enfeites em porcelana. Esses itens eram produzidos especialmente para encomendas ocidentais e não eram usados na China. Muitos destinavam-se a ornar prateleiras e nichos especialmente instalados em elegantes casas europeias, criando “salas chinesas” ou enfeitando gabinetes.
TEXTO II

HARRIS-HALL, J. China: uma história em objetos. São Paulo: Sesc-SP, 2018 (adaptado).
Os traços orientais do rosto da estátua indicam a
O Texto I explica que objetos europeus (gravuras e cerâmicas) eram levados à China para serem copiados e transformados em porcelanas destinadas ao mercado ocidental. Embora feitos sob encomenda europeia, esses objetos eram produzidos por artesãos chineses, que, ao realizar as cópias, reelaboravam os modelos a partir de sua própria tradição artística.
Assim, os traços orientais no rosto da estátua revelam que:
• não se trata de uma reprodução fiel do padrão europeu;
• o artista chinês incorporou elementos de seu repertório estético-cultural, mesmo ao atender a uma demanda estrangeira.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Definem-se lutas como disputas em que os oponentes devem ser subjugados, mediante as técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão e imobilização, ou exclusão de determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Pode-se também entendê-las como de suma importância no desenvolvimento das pessoas. É possível realizar estímulos para o praticante entender o significado das lutas tanto como esporte quanto como reflexão e relaxamento. Assim, é importante lembrar que elas não são somente técnicas sistematizadas, mas também um conjunto de valores culturais construídos e reconstruídos ao longo do tempo, os quais devem ser pensados como instrumentos de aprendizagem e socialização.
OLIVEIRA, C. A importância das lutas na educação física escolar para a formação integral dos alunos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, n. 7, jul. 2019 (adaptado).
Esse texto apresenta uma reflexão crítica sobre as lutas com base no(a)
O texto vai além da definição técnica das lutas como disputas regulamentadas. Ele destaca que as lutas:
• não são apenas técnicas sistematizadas;
• envolvem valores culturais construídos e reconstruídos ao longo do tempo;
• funcionam como instrumentos de aprendizagem e socialização;
• contribuem para a formação integral das pessoas, inclusive no âmbito escolar.
Essa abordagem evidencia uma reflexão crítica baseada no papel social e cultural das lutas, entendidas dentro de um contexto histórico, educativo e social.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O velho da roça perguntou: — Quanto é a batata, moço? — É dez. — Lá embaixo tem de oito, falou querendo mais parecer cidadão. — Por que não comprou lá embaixo, então? O velho acomodou aquilo como pôde na capanga vazia e engoliu em seco, de repente mais fino, mais murcho, a cabeça dele parecendo a cabecinha de um boneco com um chapéu. Deu um passo atrás, ainda olhando pro dono, e saiu como um cachorro. Glória largou suas compras no balcão, enojada de suas batatas, de seu pacote de manteiga, do seu miserável poder de comprar coisas a Cr$ 10,00 o quilo e ser tratada como primeira-ministra pelo boçal avarento.
PRADO, A. Cacos para um vitral. São Paulo: Siciliano, 1991.
Nessa passagem, a situação de tensão entre os personagens revela a
A tensão do trecho nasce do desnível social entre os personagens:
• o velho da roça tenta negociar o preço “querendo mais parecer cidadão”, mas é humilhado pelo vendedor;
• sua reação física e emocional (“engoliu em seco”, “mais fino, mais murcho”, “saiu como um cachorro”) evidencia submissão e constrangimento social;
• Glória percebe o contraste entre seu poder de compra e o tratamento privilegiado que recebe, o que a leva a sentir noj o e indignação, denunciando a injustiça dessa relação.
Assim, o texto evidencia uma contradição social baseada na diferença de classe, que determina a forma como as pessoas são tratadas.
Portanto, alternativa "A".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
A gramática em cordel
Grupo de duas vogais
Numa sílaba em Português
Sabemos que é um ditongo.
Tritongo, quando é de três
E sendo em sílabas vizinhas,
É hiato, dessa vez.
[...]
O substantivo vem,
Depois, a preposição.
Adjetivo, advérbio,
Vem agora a conjunção.
Numeral, artigo, verbo,
Pronome e interjeição.
[...]
Acho ser conveniente
Falar-se em preposição —
É palavra invariável,
Que sempre faz ligação
A outras duas palavras
E exprime posição.
JOSÉ MARIA DE FORTALEZA. Disponível em: www.fiocruz.br. Acesso em: 21 jan. 2024 (fragmento).
Nesse cordel, além da função poética, também está presente a função metalinguística, pois ocorre a
A função metalinguística ocorre quando a linguagem é usada para falar da própria linguagem. No cordel, o autor explica conceitos gramaticais como:
• ditongo, tritongo e hiato;
• classes gramaticais (substantivo, verbo, adjetivo etc.);
• definição de preposição.
Ou seja, o texto usa a língua portuguesa para explicar a própria língua, o que caracteriza claramente a função metalinguística, além da função poética típica do cordel.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
S. Exa., o leitor
Deus é testemunha de que nada tenho contra os leitores. Pelo contrário, se não existissem esses seres abnegados, não haveria livros nem jornais, e eu teria morrido de fome há anos. Mas vamos e venhamos, não podemos nos escravizar a eles, bajulando-os, procurando adivinhar o que pensam ou desejam. Ao contrário dos restaurantes e dos balcões comerciais, nem sempre os fregueses do nosso produto têm razão. Leio com atenção as cartas que as Redações recebem. [...] Raro é o dia em que não aparece um leitor furibundo comunicando que não mais assinará nem lerá o jornal por causa de um editorial, uma notícia ou um comentário que ele não aprovou.
Trabalhei durante anos num jornal que até o dia 1º de abril de 1964 criticava o governo de então. Veio o golpe militar e já no dia 2 o jornal passou a criticar o novo regime que se instalava no país. Naquele tempo, o jornal tinha uns 150 mil assinantes, era troço pra burro. [...] Com a mudança na opinião, a cólera dos leitores foi tal e tamanha que a tiragem chegou à metade. Dois meses depois, o estoque de papel, que deveria durar um ano, foi consumido pelas rotativas, as vendas triplicaram. O jornal era vendido até no câmbio paralelo. Não mudara a linha editorial, que era liberal e continuou liberal, defendendo a democracia e o respeito aos direitos humanos violentados pela nova classe que chegara ao poder. Não tinha nenhum compromisso partidário. Alguns leitores custaram a perceber isso.
CONY, C. H. Folha de S. Paulo, 15 mar. 2011.
Nas crônicas, de um modo geral, a linguagem caracteriza-se pela alternância dos registros formal e informal. O emprego do pronome de tratamento, em “S. Exa., o leitor”, justifica-se pela intenção de
Na crônica, Carlos Heitor Cony usa o pronome de tratamento “S. Exa.” (Sua Excelência) — normalmente reservado a altas autoridades — para se referir ao leitor comum. Esse uso não é literal nem respeitoso no sentido formal, mas irônico, pois exagera o grau de deferência para criticar, com humor, a postura de certos leitores que se comportam como se tivessem autoridade absoluta sobre a linha editorial do jornal.
Assim, o autor:
• cria um efeito irônico;
• questiona a atitude autoritária de leitores que se julgam donos da opinião do jornal;
• mantém a alternância entre formal e informal típica da crônica.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
A roda dos não ausentes
O nada e o não,
ausência alguma,
borda em mim o empecilho.
Há tempos treino
o equilíbrio sobre
esse alquebrado corpo,
e, se inteira fui,
cada pedaço que guardo de mim
tem na memória o anelar
de outros pedaços.
E da história que me resta
estilhaçados sons esculpem
partes de uma música inteira.
Traço então a nossa roda gira-gira
em que os de ontem, os de hoje,
e os de amanhã se reconhecem
nos pedaços uns dos outros.
EVARISTO, C. Poemas de recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017.
Nesse poema, a expressividade construída pelo eu lírico remete ao(à)
No poema, Conceição Evaristo constrói a expressividade do eu lírico a partir da ideia de fragmentação que não significa perda, mas reconexão. Os “pedaços”, os “sons estilhaçados” e a “música inteira” indicam que a identidade se forma pela memória compartilhada, em que passado, presente e futuro se entrelaçam:
• “os de ontem, os de hoje, / e os de amanhã se reconhecem / nos pedaços uns dos outros”
• a imagem da “roda gira-gira” simboliza continuidade, ancestralidade e pertencimento coletivo.
Assim, o poema não se limita a uma experiência individual, mas aponta para uma memória construída em conjunto, típica da poética de Evaristo, ligada à ancestralidade, à vivência histórica e à coletividade.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
No Brasil que não respira “é tudo pra ontem”
Pandemia de fumaça, seca e calor traz de volta os versos de Emicida que nos acolheram nos anos da covid
O desânimo que toma conta de mim está espelhado nos olhos de quem encontro nestes dias de fumaça e fogo. Escrevo do centro de São Paulo, quando a temperatura atinge 34 graus e a umidade despenca para menos de 20%. “Já houve dias piores”, me lembra o vizinho, “esse agora é o novo normal”.
Agora a gente entra e sai, mas sem respirar, morrendo a cada dia um pouquinho no fogo que queima de norte a sul, de leste a oeste, destruindo nossas riquezas compartilhadas. “Viver é partir, voltar e repartir, morte é quando a tragédia vira um costume”, canta Emicida em É tudo pra ontem.
É uma tragédia sem fronteiras, como a covid, e dessa vez não podemos apontar para um vírus nem apelar para as vacinas. Os culpados somos nós. Mesmo que sejam “os outros” a botar o fogo, há quanto tempo consentimos?
AMARAL, M. Disponível em: https://apublica.org. Acesso em: 18 set. 2024 (adaptado).
Nesse texto, há uma estratégia argumentativa de comparação utilizada para alertar sobre a gravidade do problema abordado. Essa estratégia revela-se no trecho:
A questão pede identificar uma estratégia argumentativa de comparação. Ela se manifesta de forma explícita quando o texto compara a crise ambiental (fumaça, seca e calor) à pandemia da covid, usando o conector comparativo “como”. Essa aproximação reforça a gravidade do problema, ao associá-lo a uma experiência recente de sofrimento coletivo e alcance global.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
O Vêneto brasileiro
O talian é uma língua forjada a partir do encontro, ocorrido em terras brasileiras, de imigrantes falantes de dialetos da região do Vêneto, na atual Itália, e possui expressivo contingente de falantes no sul do Brasil. Atualmente, as comunidades que utilizam o talian são mais encontradas nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Há municípios, como Serafina Corrêa, no Rio Grande do Sul, em que o talian é língua oficial, assim como o português.
Estudos do Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística, multissetorial, indicam que cerca de 500 mil pessoas utilizam o idioma no Brasil, em diversas regiões. Há, inclusive, estações de rádio na Região Sul e no sul da Região Centro-Oeste em que se transmitem programas em talian. No Rio Grande do Sul, o idioma já é patrimônio cultural imaterial oficial. Ainda sobre a disseminação da língua, em 2013 foi lançada a revista Talian Brasil. Alora, ou, como se diz em português, então, não há motivos para não catalogar o máximo possível a cultura trazida por essas comunidades, pois o idioma já é considerado uma língua nacional brasileira.
CASAL JR., M. Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
Nesse texto, o talian é apontado como parte do patrimônio linguístico brasileiro, pois
O texto destaca o talian como patrimônio linguístico brasileiro porque ele está ligado à identidade cultural de comunidades específicas, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, onde é amplamente utilizado, chega a ser língua oficial em municípios e foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial. Esses elementos caracterizam o idioma como parte do patrimônio linguístico do país.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Durante a cerimônia de abertura do movimento Maio Amarelo, a Secretaria Nacional de Trânsito, o Observatório Nacional de Segurança Viária e os Correios lançaram o selo personalizado e o carimbo comemorativo dos 10 anos do Maio Amarelo.
O dirigente do Observatório destacou: “A campanha foi produzida a partir de um movimento de toda a sociedade, e esse movimento é composto pelas mais diversas esferas. Nela, faremos um chamamento: ‘No trânsito, escolha a vida!’, que embasa toda essa campanha e que tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a questão de fazer boas escolhas”.

Disponível em: www.onsv.org.br. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, a função da linguagem presente no chamamento “No trânsito, escolha a vida!” reforça o objetivo de
O chamamento “No trânsito, escolha a vida!” utiliza o imperativo, característico da função apelativa (ou conativa) da linguagem, cujo objetivo é influenciar o comportamento do receptor, convocando-o à ação. No contexto do Maio Amarelo, a frase busca conscientizar e sensibilizar a sociedade para adotar atitudes responsáveis no trânsito.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

DAHMER, A. Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br. Acesso em: 2 jan. 2024 (adaptado).
Ao retratar as plataformas de busca de relacionamento virtual, essa tirinha articula linguagem verbal e não verbal para
A tirinha ironiza os perfis em aplicativos de relacionamento, nos quais as pessoas constroem descrições idealizadas de si mesmas. No primeiro quadro, João é apresentado com um conjunto de atributos altamente valorizados socialmente (“higiênico, sensível, feminista e pai presente”), típicos de um perfil digital cuidadosamente editado.
No segundo quadro, a reação “Parece mentira! Era tudo o que eu procurava!” já sugere desconfiança quanto à veracidade daquela apresentação.
O efeito crítico se consolida no último quadro, quando a fala “Ela disse sim, mas você terá que tomar um banho” revela uma contradição entre o que é declarado on-line e a realidade, colocando em xeque a autenticidade das informações apresentadas nos aplicativos.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a mis ria na fartura. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro, São Paulo: Paz e Terra, 2015 (adaptado).
Para reforçar o ponto de vista do autor, a progressão temática nesse texto é marcada pelo(a)
Para reforçar seu ponto de vista, Paulo Freire constrói o texto com repetição de estruturas sintáticas, especialmente da forma:
“Sou professor a favor de...”
“Sou professor contra...”
Essa repetição cria ritmo, ênfase e progressão temática, reforçando a tomada de posição ética e política do autor e organizando claramente seus valores e contraposições.
🔎 Embora apareçam antíteses (como liberdade × autoritarismo), o que marca a progressão do texto não é apenas o contraste de sentidos, mas sim a estrutura sintática reiterada, que sustenta o encadeamento das ideias.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

CACO GALHARDO. Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br. Acesso em: 6 jan. 2024.
Um dos impactos sociais das tecnologias de comunicação e informação, presente nesse texto, diz respeito à
O cartum de Caco Galhardo ironiza o modo como práticas que deveriam promover descanso, reflexão ou bem-estar acabam mediadas por tecnologias digitais. A crítica central recai sobre o fato de que até momentos tradicionalmente “desconectados” passam a depender de telas, aplicativos ou plataformas on-line.
Assim, o impacto social evidenciado é a dependência do uso de tecnologias no cotidiano, que se infiltra em todas as esferas da vida.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

Disponível em: www.amazonastur.am.gov.br. Acesso em: 6 set. 2024 (adaptado).
Essa campanha governamental foi desenvolvida para combater o problema de
Campanhas governamentais vinculadas a órgãos do Amazonas (como a Amazonastur) são frequentemente voltadas à proteção da fauna silvestre, alertando a população e turistas contra práticas ilegais, como captura, comércio, criação e uso de animais silvestres para fins econômicos ou turísticos.
Entre as alternativas apresentadas, “exploração animal” é a que melhor sintetiza esse tipo de problema combatido por campanhas públicas de conscientização ambiental na região amazônica.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Elvis, de Baz Luhrmann, e Priscilla, de Sofia Coppola, foram duas cinebiografias de Elvis Presley recentemente lançadas, e somente uma delas era adequada para o rei.
Elvis é uma cinebiografia musical que acompanha a verdadeira história de Elvis Presley (Austin Butler) desde seus primeiros dias nos empobrecidos Mississippi e Memphis até sua glamorosa década final em Las Vegas. Atormentado pela dor causada pela morte de sua mãe, ele busca conforto em seu casamento com Priscilla, mas no centro de seu mito está a controvérsia em torno do Coronel Tom Parker (Tom Hanks), que transforma seu talento em uma mercadoria e deixa o rei em espiral, em uma crise existencial.
Embora o filme Priscilla mude o livro de Priscilla Presley, Elvis & Eu, ele ainda honra seu material original ao seguir uma jovem Priscilla (Cailee Spaeny) enquanto ela inicia um relacionamento romântico complexo e complicado com Elvis Presley (Jacob Elordi), que é retratado como um marido terno e um abusador monstruoso em igual medida. Enquanto o tributo bombástico de Luhrmann a Elvis homenageia o ícone, Priscilla atesta a falibilidade do homem por trás da lenda.
Ambos os filmes pintam uma imagem holística de Elvis Presley, mas apenas um será lembrado como um encapsulamento definitivo de sua essência.
Disponível em: https://lojamundogeek.com.br. Acesso em: 21 jan. 2024 (adaptado).
Esse texto é uma resenha, pois cumpre o propósito de
O texto analisa duas cinebiografias sobre Elvis Presley, destacando diferenças de abordagem, foco narrativo e interpretação da figura do artista. Ao comparar Elvis, de Baz Luhrmann, e Priscilla, de Sofia Coppola, o autor avalia e contrapõe as obras para concluir qual delas melhor encapsula a essência de Elvis, o que caracteriza claramente uma resenha crítica comparativa.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Baixa umidade e incêndios
Comemorado no dia 5 de setembro, o Dia da Amazônia foi abafado pelo fogo. Mais de mil cidades brasileiras estavam em alerta em razão dos baixos níveis de umidade. A escassez hídrica severa em vários estados, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, em agosto de 2024, somada a incêndios provocados pela baixa umidade e pelo ser humano, causou uma grande onda de fogo e de calor no país. Enquanto parte da Amazônia e do Pantanal ardia em chamas, milhares de focos de incêndio eram identificados em São Paulo. Passaram-se os dias e tudo parece voltar ao normal até o surgimento de novos focos. O que será do país no próximo verão? E o que nós e as autoridades federais e estaduais poderemos fazer com urgência?
R.G.S., Porto Alegre, via e-mail. Disponível em: www.correiodopovo.com.br. Acesso em: 19 set. 2024 (adaptado).
Esse exemplar do gênero carta de leitor, acerca de uma reportagem sobre o Dia da Amazônia, tem por finalidade
Como carta de leitor, o texto não tem função informativa principal nem representa a opinião oficial do jornal. O autor retoma dados da reportagem e, ao final, formula questionamentos diretos (“O que será do país no próximo verão? E o que nós e as autoridades [...] poderemos fazer com urgência?”), o que evidencia uma reflexão crítica e urgente sobre os problemas ambientais e a necessidade de ação imediata.
Portanto, alternativa "D".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Uma plataforma de streaming anunciou a estreia da nova série documental de quatro episódios, Línguas da nossa língua, com produção da Pindorama Filmes.
Línguas da nossa língua traz questões fundamentais sobre a construção do nosso idioma e sobre como a variedade aproximada de 270 línguas nativas e africanas faladas no Brasil impacta a identidade cultural do país. A série aborda português, galego, guarani, tukano, iorubá, quimbundo, língua da Tabatinga, nheengatu e Libras, entre outras. Além de outros falares, como português caipira, português tapuia, baianês, carioquês, sergipanês, mineirês.
Com música de abertura original composta por Arnaldo Antunes e leitura exclusiva de autores clássicos da literatura brasileira por Maria Bethânia, a série traz um encontro emocionante entre Caetano Veloso e Yeda Pessoa de Castro, referência em estudos de línguas africanas no Brasil.
“É uma oportunidade para pensarmos o Brasil e nossa identidade a partir da enorme diversidade de línguas aqui faladas. Os brasileiros ainda falam português ou já temos uma língua brasileira?”, questiona o diretor da série.
Disponível em: www.correiodopovo.com.br. Acesso em: 24 jan. 2024 (adaptado).
A função desse texto, que trata de uma produção para streaming, caracteriza-o como um(a)
O texto tem caráter informativo e objetivo: anuncia a estreia de uma série documental, apresenta seus episódios, temática, participantes e contextualiza a proposta da produção. Não há defesa de ponto de vista pessoal nem aprofundamento teórico-acadêmico, o que afasta as opções de artigo de opinião, ensaio ou divulgação científica.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
As piscinas naturais desenhadas por recifes de corais são um dos principais atrativos da praia de Porto de Galinhas, em Pernambuco. Para preservar essa beleza natural, pesquisadores e voluntários se uniram e utilizam tecnologias, como impressoras 3D, nessa missão.
Os corais não são rochas, mas sim seres vivos que formam colônias e servem de abrigo para inúmeras espécies. “A gente tem estimativas que variam de 30% a 80% de redução da cobertura de corais nos recifes brasileiros, de acordo com o local”, apontou uma professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Na biofábrica de corais, os pesquisadores utilizam impressoras 3D para produzir os berços, que são as estruturas em que são colocados os fragmentos de corais para que cresçam. Cada berço é diferente e adequado para uma espécie de coral. Alguns são feitos de canos de PVC e viram verdadeiros berçários, que vão para piscinas naturais protegidas da correnteza, das embarcações e dos turistas.
A velocidade de destruição dos corais ainda é maior do que o esforço para recuperá-los, segundo os especialistas, mas a nova tecnologia mostra que a ciência pode ajudar a salvar várias espécies ameaçadas.
Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 7 jan. 2024 (adaptado).
Segundo esse texto, o uso da impressora 3D contribui para a
O texto explica que as impressoras 3D são usadas para produzir berços onde fragmentos de corais são colocados para crescer, com o objetivo de recuperar a cobertura de corais perdida nos recifes brasileiros. Isso caracteriza uma ação direta de restauração ambiental.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Quero brincar, meus amigos
De ver beleza nas coisas.
Beleza no desatino
No teu amor descuidado
Beleza tanta beleza
Na pobreza.
[...]
Quero brincar, meus amigos
De ver beleza na morte.
Mais que na morte, na vida. Tão doce morrer em vida Tão triste viver em vão. Vamos brincar, meus amigos E de mãos dadas cantar Minha feliz invenção: Beleza tanta beleza Em tudo que não se vê Beleza.
HILST, H. Da poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2017 (fragmento).
Em uma reflexão sobre a beleza na poesia e na vida, o eu lírico convida o leitor a
O poema de Hilda Hilst fala sobre encontrar beleza em coisas que normalmente não consideraríamos belas: pobreza, desatino, morte, situações difíceis. O eu lírico convida os amigos a “brincar de ver beleza”, ou seja, a perceber que o belo não é absoluto, mas relativo: pode estar em tudo, inclusive no que parece triste ou feio à primeira vista.
Por isso, o foco não é tanto a brincadeira coletiva ou lúdica em si, mas a percepção de que o belo é relativo e pode ser encontrado em qualquer situação.
Portanto, alternativa "A".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Escrever bem
Às vezes vejo-me envolvido em discussões sobre “escrever bem”. Já pensei no assunto e tenho uma ideia formada: ninguém “escreve bem”. Alguns “reescrevem bem” e, com isso, produzem textos mais enxutos, claros e eficientes. O segredo está em ler o que se acabou de escrever, enxergar os excessos e meter-lhes a caneta. Donde o mais exato seria dizer que ninguém escreve bem de primeira.
Reescrever consiste em expurgar o desnecessário. Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito.
Reescrever exige colocar-se no lugar do leitor e perguntar se a informação precisa de certos anexos. Um deles é o “vale ressaltar que...” — ao qual se segue a informação que se quer ressaltar. Experimente cortar o “vale ressaltar” e ir direto à informação. Descobrirá que não perderá nada com isso.
E, assim como “vale ressaltar”, há o “é bom frisar”, “cabe destacar”, “convém assinalar” etc. e, claro, “pontuar” (por que não “virgular”?). Pesos mortos, inúteis. O papel aceita tudo, como sabemos. Mas muitos leitores não.
CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, uma das estratégias empregadas para convencer o leitor sobre a tese defendida é o argumento por exemplificação, evidenciado em
No texto, Castro defende que ninguém escreve bem de primeira e que reescrever é essencial. Para convencer o leitor, ele usa diferentes estratégias argumentativas.
O argumento por exemplificação ocorre quando o autor apresenta um caso concreto ou exemplo para ilustrar sua ideia. No texto, isso aparece em:
“Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito.”
Aqui, o autor mostra um exemplo real de revisão para provar que cortar o desnecessário melhora o texto.
Portanto, alternativa "C".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
TEXTO I
Pensar a Escrevivência como um fenômeno diaspórico e universal primeiramente me incita a voltar a uma imagem que está no núcleo do termo. A imagem fundante do termo é a figura da Mãe Preta, aquela que vivia a sua condição de escravizada dentro da casa-grande. Essa mulher tinha como trabalho escravo a função forçada de cuidar da prole da família colonizadora. Escrevivência, em sua concepção inicial, se realiza como um ato de escrita das mulheres negras, como uma ação que pretende borrar, desfazer uma imagem do passado, em que o corpo-voz de mulheres negras escravizadas tinha sua potência de emissão também sob o controle dos escravocratas, homens, mulheres e até crianças. E, se ontem nem a voz pertencia às mulheres escravizadas, hoje a letra, a escrita nos pertencem também.
EVARISTO, C. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. L.; NUNES, I. R. (Org.). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina, 2020 (adaptado).
TEXTO II
Um corpo no mundo
Atravessei o mar, um sol
Da América do Sul me guia
Trago uma mala de mão
Dentro uma oração, um adeus
Eu sou um corpo, um ser, um corpo só
Tem cor, tem corte
E a história do meu lugar, ô
Eu sou a minha própria embarcação
Sou minha própria sorte
LUEDJI LUNA. Disponível em: https://open.spotify.com. Acesso em: 7 out. 2025 (fragmento).
Os textos I e II apresentam como característica comum a referência a(à)
Analisando os dois textos:
• Texto I: fala da Escrevivência, conceito de Conceição Evaristo, que enfatiza a escrita das mulheres negras como expressão de identidade, memória e experiência de um grupo historicamente oprimido.
• Texto II: a letra de Luedji Luna fala de um corpo no mundo, traz cor, história, trajetória pessoal — também uma referência a elementos identitários, de pertencimento e história própria.
Portanto, o ponto comum entre os dois textos é o destaque para elementos identitários, ou seja, a construção e a afirmação da própria identidade.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Tudo
Você atravessando a rua fez parar meu coração
Não morri, não era hora, mas me fez suar
Teu sorriso dá barato, já me fez rolar na grama
E não querer voltar
Mas eu volto com saudade pra te encontrar no futuro
O mundo não é tão grande pra eu não te achar
Um dia cê vai tar na rua, vai olhar pro lado
E daquele muro vai me ouvir gritar
Deixa eu ficar na tua vida
Morar dentro da concha
Do teu abraço não quero largar
Que seja Real além da conta
O que a gente precisa
É aprender sonhar
LINIKER. Caju. Rio de Janeiro: Estúdio Brocal, 2024 (fragmento).
Nessa letra de canção, as formas linguísticas utilizadas evidenciam uma variedade motivada pelo(a)
Observando a letra de Liniker:
• As expressões como “cê vai tar”, “girar na grama”, “do teu abraço” e o tom coloquial indicam uma linguagem próxima, informal, típica de diálogos cotidianos e de intimidade entre pessoas.
• Não há preocupação com a norma-padrão; a linguagem não remete a uma região específica nem a distanciamento, mas sim a um contexto descontraído e pessoal.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
((ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Andar com fé
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Gravada por Gilberto Gil no seu LP m banda um (WEA, 1982) (fragmento).
COMENTÁRIO: A fé e a “faia” — O uso do “faiá” é assumido com a intenção de legitimar uma forma popular contra a hegemonia do bem falar das elites. É uma homenagem ao linguajar caipira, ao modo popular mineiro, paulista, baiano — brasileiro, enfim — de falar “falhar” no interior. É quase como se a frase da canção não pudesse ser verdade se o verbo fosse pronunciado corretamente — o que seria um erro… Outro dia cometeram esse “deslize” na Bahia, ao utilizarem a expressão na promoção de uma campanha de cinto de segurança. Nos outdoors, saiu: “A fé não costuma falhar” (a propaganda associava o cinto à fitinha do Senhor do Bonfim). Eu deixei, mas achei a correção desnecessária.
GILBERTO GIL. Todas as letras. São Paulo: Cia. das Letras, 2022.
No comentário de Gilberto Gil sobre o uso de “faiá”, o compositor
No comentário, Gilberto Gil explica que o uso de “faiá” na canção é intencional, homenageando o modo popular de falar e legitimando essa forma contra a hegemonia do bem falar das elites. Ele critica a correção desnecessária feita na propaganda (“falhar”) e defende que a forma não padrão é apropriada e necessária na música.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
TEXTO I
Zabé da Loca tinha a leveza do sopro e a força do vento. Nasceu Isabel Marques da Silva, em 1925. As adversidades da vida, a pobreza e a miséria a obrigaram a viver por mais de 20 anos numa gruta, numa loca, como é dito em sua terra, a Paraíba. Virou Zabé da Loca, para abreviar. Não era muito de conversa, mas dava seu recado nas notas fortes de um pífano, instrumento tipicamente nordestino que a acompanhava desde os 6 anos de idade. Gravou disco, ganhou prêmios e até uma casa na cidade onde viveu, Monteiro, a 300 quilômetros da capital, João Pessoa. Incansável, criou em sua cidade um projeto no qual ensinou 80 crianças do sertão paraibano a espalharem melodias com a pequena flauta.
CORREIA FILHO, J. Sopro de resistência. Página 22, n. 50, mar. 2011. São Paulo: FGV (adaptado).
TEXTO II

Foto: Reprodução/TV Globo/Arquivo Disponível em: www.g1.globo.com. Acesso em: 30 out. 2025 (adaptado).
Zabé da Loca tornou-se uma referência artística e educacional para a cultura brasileira, o que é evidenciado pela
Analisando os textos:
• Zabé da Loca aprendeu a tocar pífano desde os 6 anos, de forma autodidata.
• Mais tarde, ela ensinou 80 crianças do sertão paraibano a tocar, espalhando melodias e transmitindo seu conhecimento musical.
• Isso evidencia que sua referência artística e educacional vem justamente da transmissão de saberes adquiridos de forma informal para outras pessoas, ou seja, da transferência de conhecimento musical autodidata.
Portanto, alternativa "A".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
A utilização do e-mail para a comunicação tornou-se prática comum, não só em âmbito privado, mas também na administração pública. O termo e-mail pode ser empregado com três sentidos. Dependendo do contexto, pode significar gênero textual, endereço eletrônico ou sistema de transmissão de mensagem eletrônica. Como gênero textual, o e-mail pode ser considerado um documento oficial, assim como o ofício. Portanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.
“Atenciosamente” é o fecho padrão em comunicações oficiais. Com o uso do e-mail, popularizou-se o uso de abreviações como “Att.”, e de outros fechos, como “Abraços” e “Saudações”, que, apesar de amplamente usados, não são fechos oficiais e, portanto, não devem ser utilizados em e-mails profissionais. O correio eletrônico, em algumas situações, aceita uma saudação inicial e um fecho menos formais. No entanto, a linguagem do texto dos correios eletrônicos deve ser formal, como a que se usaria em qualquer outro documento oficial.
Manual de redação da Presidência da República. Brasília: Presidência da República, 2018.
Esse texto defende o registro formal de linguagem no e-mail profissional, considerando sua
O texto explica que o e-mail profissional deve seguir uma linguagem formal, similar a outros documentos oficiais, como ofícios, ressaltando que saudações informais não são adequadas. Ou seja, a formalidade é exigida porque o e-mail é tratado como documento oficial no contexto institucional.
Portanto, alternativa "E".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).

AMARILDO. Disponível em: www.robertomoraes.com.br. Acesso em: 3 dez. 2012.
Nessa charge, revela-se uma representação recorrente no esporte de alto rendimento relacionada ao(à)
Como a charge não está visível, precisamos nos basear na temática recorrente no esporte de alto rendimento que geralmente é abordada em charges: a ideia de superação constante, competição intensa e pressão por resultados.
No contexto do esporte competitivo, a representação mais frequente é o desejo de superação constante, mostrando atletas buscando sempre melhorar e ultrapassar limites.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
(ENEM 2025 - 3ª Aplicação - PPL).
Competentemente iniciada e dedicada ao culto de Aziri Tobôci, agora Honorata começa a ver novos horizontes em sua vida. Tomada, agora, de um espírito de iniciativa incomum, totalmente diferente do torpor em que vivia, passa a cuidar mais da aparência, a vestir trajes mais alvos, a adornar-se com joias de ouro, mesmo baratas, a caprichar no ojá que lhe envolve graciosa e artisticamente a cabeça. A quase mendiga de antes é agora uma bela e perfumada baiana de tabuleiro, atraindo uma boa freguesia com seus acarajés, abarás, beijus, cuscuzes, bolinhos de tapioca... iguarias de fina e esmerada feitura.
Em pouco tempo, começa a ser, também, acreditada e requisitada como quituteira e banqueteira. A culinária baiana começa a chegar às mesas dos brancos abastados. Vatapá, caruru, xinxim, moqueca já não são comidas de escravo, de negro africano; os africanos são cada vez mais raros. [...]
E, assim como chega às mesas ricas, a Bahia já começa a chegar também ao teatro musicado. Então, as cômicas, no afã de personificarem, com perfeição, as negras minas das ruas, com sua altivez, elegância e insolência, vão bater à porta de Honorata, em busca dos mais rendados cabeções e batas, dos camisus mais sensuais, dos mais coloridos panos da costa, dos balangandãs, pulseiras e colares mais reluzentes.
LOPES, N. Mandingas da mulata velha na cidade nova. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.
Na descrição da personagem, observa-se uma mudança de perfil que, de acordo com esse fragmento, reflete a
No fragmento, Honorata passa de “quase mendiga” a uma mulher elegante, perfumada, dedicada à sua aparência e à produção de quitutes baianos. Essa transformação não se restringe apenas a uma mudança estética ou econômica; ela reflete um resgate da identidade e da autoestima da personagem, que se fortalece ao valorizar sua ancestralidade africana e sua cultura. O texto mostra que sua dedicação à culinária típica, à vestimenta e aos adornos está ligada à afirmação de si mesma e à conquista de respeito e reconhecimento na sociedade.
Portanto, alternativa "B".
(Créditos da resolução: Prof. Warles)
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