D9: Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto.
01
(SEDUC-GO).
Leia o texto e, a seguir, responda.
A bola
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais couro, era de plástico. Mas era uma bola.
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!" Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à cura de alguma coisa.
— Como é que liga? - perguntou.
— Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
— Não tem manual de instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
— Não precisa manual de instrução.
— O que é que ela faz?
— Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
— O quê?
— Controla, chuta...
— Ah, então é uma bola.
— Claro que é uma bola.
— Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
— Você pensou que fosse o quê?
— Nada, não.
O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina.
O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
— Filho, olha.
O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa idéia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. A bola. In: Comédias para se ler na Escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001).
"Sua rede social é controlada por publicitários. Você é o produto comprado e vendido." Assim, com desmedido exagero, a startup americana Ello anunciou o lançamento de uma nova rede social online, de mesmo nome. O site pretende se consolidar como uma espécie de antiFacebook. Nas palavras da equipe: "Livre de propagandas. A Ello não vende dados sobre você". Parece utópico. Google e Facebook nasceram com proposta similar, mas logo abriram as portas para o bem-vindo dinheiro da publicidade, sem o qual ambos não sobreviveriam, muito menos se tornariam empresas bilionárias. Logo que foi lançada, em março, a Ello foi levada ao canto do ringue. A opinião geral era de que cederia. No mês passado, foi além, ao se tornar uma corporação de utilidade pública, categoria que nos Estados Unidos abrange empresas que se comprometem com metas sociais. Com isso, o compromisso de ser livre de anúncios e de não faturar com coleta de dados virou uma obrigação legal. [...]
VILICIC, Felipe. Quem vai encarar o Facebook? In: Revista Veja. Edição 2398. São Paulo: Editora Abril, 2014, p. 106.
Os manuais de autoajuda são exemplos de tirania. De pequenas tiranias consumidas por escravos dóceis e fiéis que acreditam em dois equívocos. O primeiro é conhecido: não existe manual de autoajuda que não apresente o infortúnio como um elemento estranho à condição humana. A tristeza é uma anormalidade, dizem. O fracasso não existe e, quando existe, deve ser imediatamente apagado, ordenam. Na sapiência dos manuais, a infelicidade não é um fato; é uma vergonha e uma proibição. O que implica o seu inverso: se a infelicidade é uma proibição, a felicidade é obrigatória por natureza. Obrigatória e radicalmente individual. Ela não depende da sorte, da contingência e da ação de terceiros: daqueles que fazem, e tantas vezes desfazem, o que somos e não somos. Depende, exclusiva, e infantilmente, de nós.
COUTINHO, João Pereira. O direito à infelicidade. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 ago. 2006, p. E2.
É preciso que a população colabore na caçada aos transmissores, dentro de suas casas e quintais, locais de maiores propagações.
O verão, período mais propício à propagação da dengue, nem chegou, mas o país já se depara com número alarmante de óbitos. Nos oito primeiros meses do ano, foram registradas 693 mortes, 70% a mais do que no ano passado. O mesmo índice aplica-se ao Estado do Rio, que teve 10 óbitos no ano passado e até agora já soma 17. É a maior incidência desde que a doença começou a ser monitorada, em 1990. Portanto, já passa da hora de o poder público deflagrar medidas preventivas maciças contra o mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
Porque a guerra ao mosquito deve ser permanente, sem trégua ao transmissor. Se é sabido que os ovos do mosquito sobrevivem mais de doze meses, é imprescindível manter uma política permanente de controle o ano inteiro.
Mas ação do Estado só não basta. É preciso que a população colabore na caçada aos transmissores, dentro de suas casas e quintais, locais de maiores propagações. Para ganhar essa guerra, o combate ao mosquito tem que ser uma tarefa de todos.
O acelerador de partículas funcionou e não abriu o tal buraco negro que ia nos engolir a todos. Eu comemorei a conquista junto com os cientistas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear. Mas, ao mesmo tempo, aumentou a intensidade da luz amarela que pisca no meu cérebro sem parar: nós, os seres humanos, estamos nos colocando numa posição de muito poder, para o bem e para o mal!
A ciência está chegando a um ponto de tamanha intimidade com a natureza que nós poderemos escolher se continuamos nossa evolução ou se damos um basta com um ponto-final na históna da humanidade. Nessa hora, eu peço socorro e inspiração à música.
A música é tão cultura como a ciência. Ambas são aprendizados que o homem tira da natureza. Só que, enquanto a ciência nos dá poder sobre a vida, a música nos aperfeiçoa como seres humanos.
"A música restaura nossa mente e nossa alma", dizia Bach. Nos faz seres humanos melhores, eu concluo.
O ser humano viveu por muito tempo em selvas e cavernas. Nesses tempos pré-históricos, era grande a dificuldade para obter os nutrientes necessários para que o organismo se mantivesse vivo e atuante, e os primeiros humanos recorriam à caça e à coleta de raízes, frutas e sementes para conseguir seu alimento. Eles não conheciam formas de armazenar a caça e os materiais coletados, que se estragavam com facilidade. A procura por alimento, portanto, era sua principal atividade.
Para suportar períodos em que o alimento era escasso, o corpo humano tinha a capacidade (provavelmente herdada de seus ancestrais, que a adquiriram ao longo da evolução) de formar um reservatório de energia na forma de gordura, tecnicamente chamado de tecido adiposo. Se a comida era abundante, os indivíduos comiam o quanto podiam e a energia vinda do alimento que não era imediatamente usada no metabolismo fi cava acumulada nesse tecido. Quando faltava alimento, os que tinham bastante energia acumulada no corpo podiam sobreviver até que as condições melhorassem, e os que não tinham muitas vezes pereciam. Essa reserva de gordura não é mais necessária para o homem moderno. Ao contrário, o acúmulo exagerado de gordura no corpo faz mal à saúde.
O modo como os humanos encaram os alimentos, bem como as suas funções, sofreu modificações com o passar do tempo.
CHORILLI, Marlus. Ciência hoje. março de 2010, vol. 45, Nº. 268. Fragmento.
A respeitada revista médica inglesa “The Lancet” chamou a atenção, em editorial, para o crescimento da epidemia de diabetes no mundo. A estimativa é de que os atuais 246 milhões de adultos portadores da doença se transforme em 380 milhões em 2025. O problema é responsável por 6% do total de mortes no mundo, sendo 50% devido a problemas cardíacos — doença associada à diabetes.
Levantamento feito pelo Ministério da Educação (MEC) descobriu que as escolas que usam computadores sem conexão com a Internet não ganham em desempenho. Ao contrário, chegam a ter piores notas médias em provas oficiais. O estudo foi feito tomando por base as notas obtidas por alunos brasileiros de 4ª série no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A conclusão do trabalho é que o acesso à rede mundial melhora os resultados dos estudantes em 5,5 pontos.
NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril. n. 208. dezembro, 2008.
A educação ambiental é uma alternativa que parece não ter efeito. Isso acontece porque muita gente entende educação ambiental como verdismo, simplesmente passear em parques, visitar animais, promover e/ou participar de campanhas de separação de lixo. Mas isso é muito superficial. Isso é uma forma de separar a natureza em sua dimensão natural da sua dimensão interna. É como separar o mundo externo do mundo da sua própria casa, ou da instituição da escola. Então, educação ambiental é ressensibilização, tomada de consciência existencial, de como podem ser criados modos de ser, modos de vida, onde o cultivo das emoções positivas, dos valores, da vida simples, do que a nossa tradição herdou.
Essas tradições eram sustentáveis em termos de alimentação, de medicação natural. Por exemplo, o que os índios nos legaram. Só que tomamos um rumo chamado progresso que nos levou a essa situação de crise.
Carboidratos simples, como frutas e geleias, aumentam sua energia. Os complexos, como pães e cereais integrais, ajudam a mantê-la alta.
Ovos: bombas de colesterol
Ovos são ótima fonte de proteína, mas seu consumo deve ser limitado a menos de 300 miligramas por dia – 200 miligramas se você tiver alguma doença cardíaca. Um ovo grande tem cerca de 215 miligramas. Sua omelete; um ovo inteiro mais duas ou três claras.
A gordura não é de todo má
É verdade. Ela tem muita caloria, mas também o faz sentir-se saciado. Espalhe um pouco de gordura boa, como pasta de amendoim, na primeira torrada, e é menos provável que você coma a segunda. E, não, manteiga comum não é gordura boa.
Go Outside Equilíbrio Total. 2008, p.70. *Adaptado: Reforma Ortográfica.
A respeitada revista médica inglesa “The Lancet” chamou a atenção, em editorial, para o crescimento da epidemia de diabetes no mundo. A estimativa é de que os atuais 246 milhões de adultos portadores da doença se transformem em 380 milhões em 2025. O problema é responsável por 6% do total de mortes no mundo, sendo 50% devido a problemas cardíacos — doença associada à diabetes.
O aquecimento global é outro elemento que está merecendo bastante atenção entre os ambientalistas da África. Para muitos cientistas, o continente africano será, nos próximos 15 anos, um dos mais afetados com aumento da temperatura média da Terra. As monções procedentes do Oceano Atlântico e responsáveis pela chuva e pela umidade do ar não poderão ser apreciadas com tanta frequência nos próximos anos, em face dos desequilíbrios climáticos. O processo de evaporação da água será mais rápido, o que resultará na baixa umidade do solo que levará ao atrofiamento lento e gradual de toda vegetação da savana. Com esta possível alteração climática, inúmeras espécies de animais estarão na lista de extinção.
Mãe Terra. Ano I, n. 3, p. 29.
Em relação ao aquecimento global, a principal informação desse texto diz respeito
D8: Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la.
01
(SEDUC-GO).
Leia o texto e, a seguir, responda.
Haverá um mapa para este tesouro?
“Diversidade biológica” significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.” (Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica).
O Brasil, país de dimensões continentais, sabidamente possui uma enorme biodiversidade, sendo definida como a maior do planeta. Possuir muito, e de diferentes fontes, ecoa aos nossos sentidos como ter à disposição, ao alcance de todos, um grande tesouro. No entanto, todos sabemos que um grande tesouro escondido em locais inacessíveis, ou mesmo localizado sob os nossos olhos, sem que tenhamos possibilidade de enxergá-la, significa um grande sonho.... e sonhos não costumam tornar-se realidade... podem até evoluir para pesadelos...
Assim, fica evidente que o conhecimento científico, embasado em fatos, é essencial para dar suporte a hipóteses que gerem projetos que permitam expandir esses conhecimentos e servir de partida para projetos que permitam a aplicação racional e sustentada dessa riqueza. Todos sabem que a pior atitude é “...matar a galinha dos ovos de ouro...”. Portanto, precisamos saber de onde vêm os ovos, e como cuidar da galinha e fazê-la reproduzir para que possamos transmitir essa riqueza como herança.
Regina Pakelmann Markus e Miguel Trefault Rodrigues. Revista Ciência & Cultura. Julho/agosto/setembro 2003. p. 20.
O trecho “evoluir para pesadelos...” (2° parágrafo) é um argumento para sustentar a idéia de que
O sucesso de "A culpa é das estrelas" nos cinemas e nas livrarias é uma notícia excelente para o mercado literário. Deveria ser comemorada por qualquer pessoa que acredite num futuro em que o hábito de ler seja mais difundido. Mas os pessimistas de sempre não perderam a chance de se manifestar. Para alguns críticos literários e leitores elitistas, qualquer notícia é má notícia. A popularidade dos livros juvenis, em vez de ser um alento, é um desastre irremediável.
Um artigo publicado há algumas semanas pela revista digital americana Slatesintetiza a opinião da turma do contra. O título já diz tudo: "Adultos que leem livros para crianças deveriam se envergonhar". Ao longo do texto, a jornalista Ruth Graham lista motivos pelos quais adultos não deveriam perder seu tempo com "A culpa é das estrelas" e outras obras do gênero. Diz que os livros são inocentes demais, incentivam uma leitura acrítica e oferecem uma gratificação instantânea. Para jovens leitores em formação, seriam um mal necessário. Mas os milhões de adultos que se emocionaram com a história narrada por John Green deveriam ter vergonha disso - e procurar um livro para adultos imediatamente.
Ruth não está sozinha. Em qualquer conversa sobre literatura é possível encontrar leitores que manifestam, com ar de superioridade, opiniões semelhantes a essa. Histórias policiais, fantásticas ou romances adolescentes são vistos como subliteratura. Seus fãs, consequentemente, são subleitores. Bom mesmo é ler autores clássicos ou, na falta deles, uma meia dúzia de contemporâneos que tentam imitá-los.
Ao condenarem livros populares, esses críticos contribuem parareforçar a imagem da literatura como um prazer sofisticado, que só pode ser aproveitado por uma elite intelectual. Mas não enxergam a importância que esses títulos têm não só para o mercado, como também para a formação de novos leitores.
Basta olhar para as listas de mais vendidos para comprovar que as livrarias e editoras estariam em apuros sem o público conquistado por esses best-sellers supostamente inferiores. Ao dizer que romances juvenis só deveriam ser lidos por adolescentes, os críticos se esquecem do óbvio: nem todos começam a ler na adolescência. Para muitos adultos, as histórias acessíveis e cativantes contadas em romances juvenis são uma excelente introdução à literatura. Ninguém começa lendo James Joyce. Entre ler a obra completa de John Green e parar nas primeiras páginas de Ulysses, a primeira opção me parece mais saudável e promissora para quem está descobrindo a leitura.
Mesmo que os fãs de autores juvenis não abram um só livro "adulto" em todas suas vidas, ainda assim sua experiência terá sido positiva. Ler um romance juvenil pode até ser menos enriquecedor do que ler um clássico da literatura, mas é muito melhor do que não ler livro algum. Parece bobagem, mas muitos críticos não entendem que essa escolha entre ler livros clássicos e ler livros populares não existe. Para a maioria das pessoas, a escolha é entre ler livros populares e fazer outra coisa: jogar videogame, assistir a um filme, passar a tarde no Facebook. A decisão de ler um livro, não importa o gênero, é uma vitória para a literatura.
Além de falta de visão, a crítica aos romances juvenis revela uma boa dose de hipocrisia. Não há leitor que não tenha, em sua prateleira, um daqueles livros que amamos sem respeitar. Pode ser uma história barata de detetive, uma ficção científica das mais absurdas, uma coleção de contos de terror ou, por que não, um romance adolescente. Ler um livro por prazer não deveria ser motivo de vergonha para ninguém. Vergonha é passar meses sem ler nada — ou criticar a leitura alheia em vez de olhar para a própria prateleira.
Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs /danilo-venticinque/noticia/2014/07/em-defesa -da-bleitura-sem-vergonhab.html. Acesso em 20/11/2014.
Qual é o principal argumento que sustenta a tese do texto?
Sempre que um crime grave é praticado por um adolescente a redução da maioridade penal volta às pautas do Congresso e dos jornais. A racionalidade e a temperatura que deveriam guiar a elaboração de qualquer projeto de lei cedem espaço à passionalidade do clamor público no furor dos acontecimentos. E assim vão se criando leis casuísticas para dar respostas a casos concretos que nem sempre são representativos da maioria dos crimes ocorridos no dia a dia.
Homicídios praticados por adolescentes não são tão frequentes quanto acredita a opinião pública. Para se ter uma ideia, dos atos infracionais praticados por adolescentes em Belo Horizonte no ano de 2010, apenas 0,3% foram homicídios. A maioria das ocorrências é por tráfico de drogas (27%), uso de drogas (18,5%), furto (10,7%) e roubo (7,7%) dados da Vara Infracional da Infância e da Juventude de Belo Horizonte).
O público-alvo dos projetos de redução de maioridade penal é o adolescente pobre que pratica crimes patrimoniais ou de tráfico e uso de drogas. Desses adolescentes, 62% vivem em lares com renda familiar inferior a dois salários mínimos.É esse adolescente marginalizado que a sociedade brasileira quer colocar no cárcere, já que nosso poder público, em sua incompetência, não cumpriu seu dever constitucional de colocá-los nas escolas.
Resta saber se essa mesma sociedade que clama hoje pela redução da maioridade penal vai aceitar amanhã que seus filhos também sejam presos pelas brigas nas quais se envolverem na saída dos colégios, ou pelos insultos aos professores e colegas nas redes sociais; ou pelas violações de direitos autorais na internet; ou pelo uso de drogas; ou por dirigirem sem habilitação. Ou será que a proposta seria punir apenas os adolescentes pobres?
Duas das propostas de emenda à constituição que tramitam no Senado (PEC 74/2011) e PEC 33/2012 efetivamente pretendem criar uma maioridade penal seletiva.
[...]
A PEC 83/2011 é mais coerente e propõe a redução da maioridade penal para 16 anos para todo e qualquer crime.
[...]
É bem verdade que alguns juristas não concordam com essa interpretação, alegando que a maioridade penal não seria uma cláusula pétrea por não estar prevista no art. 5º da Constituição, que trata especificamente dos direitos individuais. Trata-se de uma interpretação bastante simplista, pois o que caracteriza um direito individual é sua essência e não sua localização constitucional. [...]
É ilusão acreditar que o simples aumento do tempo de internação vá reduzir os atos infracionais praticados por adolescentes. As estatísticas não deixam dúvidas de que esse tipo de criminalidade é reflexo das péssimas condições socioeconômicas desses adolescentes. A solução simplista de construir cárceres para enjaular a juventude pobre pode até ter um custo menor para o poder público, mas não será panaceia para um problema complexo que precisa ser enfrentado com um investimento sério no ensino fundamental e médio e com políticas públicas que visem a engajar os adolescentes pobres em atividades culturais e esportivas que os afastem da criminalidade. Muito mais efetivo do que ameaçar os adolescentes com penas graves é oferecer-lhes uma perspectiva real de um primeiro emprego digno que lhe possa permitir sonhar com um futuro melhor.
Às culturas que aqui já estavam, somou-se a europeia, acompanhada de um processo colonial repleto de violências físicas e simbólicas contra as que aqui viviam (é importante recordar). Isso sem falar da grande quantidade de pessoas trazidas da África, o que foi uma das maiores brutalidades e vergonhas da humanidade: a escravidão massiva e o comércio internacional de pessoas.
Porém a contribuição europeia é sim, muito grande e valiosa à nossa cultura, pois chegaram também não só colonizadores espanhóis, portugueses, ingleses, franceses e holandeses, mas também, posteriormente, imigrantes alemães, italianos, suíços, entre tantos outros. Também migraram para cá chineses, japoneses, árabes, colocando ainda mais tempero em nossa sopa cultural.
Em meio a esta mescla de tantas influências, como falar de identidade latino-americana? Melhor nem falarmos dela. Melhor pensarmos plural, nas identidades latino-americanas. Existem muitas semelhanças, porém também profundas diferenças entre países e mesmo entre regiões dentro de um mesmo Estado nacional. Porém o processo político e social dos últimos anos levanta um potente e possível caminho: a unidade na diversidade. A heterogeneidade não tem que ser um problema, pelo contrário, deve ser uma virtude, pois é possivelmente a maior riqueza que temos.
TAVEIRA, Vitor. Quem somos, América Latina? Jornal Mundo Jovem, Porto Alegre, v. 53, n.453, p. 16, fev. 2015. (Fragmento)
O argumento que sustenta a tese destacada no texto é o de que
A reação mais comum das pessoas diante da criminalidade é um sentimento de revolta e medo. O que difere é a forma como cada um lida com o problema. Alguns acreditam que não há como escapar quando a violência bate à sua porta.
A saída é entregar todos os seus pertences e torcer para que não haja nenhum tipo de violência física. Outros imaginam que é possível reagir, enfrentar o bandido e vencê-lo. São essas pessoas que portam armas ou as têm guardadas em casa para se proteger.
Quem é a favor do porte e do uso desses instrumentos sustenta que, se eles fossem proibidos, os bandidos reinariam absolutos contra o cidadão já indefeso pela ineficiência da polícia. Outra argumentação é que os delinqüentes sempre escolhem como vítimas os que são incapazes de resistir. A arma teria um efeito preventivo ao criar algum grau de dificuldade.
Por mais razoáveis que pareçam, esses argumentos são apenas frações da verdade. As estatísticas policiais revelam que andar armado nem sempre é sinônimo de estar protegido. Ao contrário. Usar uma arma, mais do que perigoso, pode ser letal - especialmente quando se tenta reagir a um assalto.
Veja Especial - Sua Segurança
Um dos argumentos apresentados no texto em defesa do porte de arma é:
A importância da água tem sido notória ao longo da história da humanidade, possibilitando desde a fixação do homem à terra, às margens de rios e lagos, até o desenvolvimento de grandes civilizações, através do aproveitamento do grande potencial deste bem da natureza. A sociedade moderna, no entanto, tem se destacado pelo uso irracional dos recursos hídricos, o desperdício desbaratado de água potável, a poluição dos reservatórios naturais e a radical intervenção nos ecossistemas aquáticos, de forma a arriscar não só o equilíbrio biológico do planeta, mas a própria natureza humana.
CEREJA, William Roberto e MAGALHAES, Thereza Cochar. Português: Linguagens, 8ª série. 2. ed. São Paulo: Atual, 2002.
Um argumento que sustenta a tese de que “a sociedade moderna tem utilizado de forma irracional seus recursos hídricos” é que
O etanol de cana-de-açúcar produzido pelo Brasil é melhor que todos os outros. A conclusão é de um estudo divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 30 países entre os mais industrializados do mundo e da qual o Brasil não faz parte. A pesquisa mostra que o etanol brasileiro reduz em até 80% as emissões dos gases que provocam o efeito estufa. “O percentual de redução na emissão de gases é muito mais baixo nos biocombustíveis produzidos na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá”, afirmou Stefan Tangermann, diretor de Agricultua da OCDE. O etanol do milho americano reduz em apenas 30% as emissões. Já o trigo utilizado pelos europeus tem efeito de 50% na diminuição da poluição.
A pesquisa também critica os subsídios dados por europeus e americanos a seus produtores — US$ 11 bilhões por ano e que devem chegar US$ 25 bilhões até 2015. [...] É uma vitória da postura brasileira de defesa incessante da cana como energia alternativa.
Revista da semana. nº 28. 24 jul. 2008. p. 34.
O argumento que sustenta a tese de que o etanol da cana de açúcar brasileira é melhor que todos os outros é que
Na gramática, como muitos sabem e outros nem tanto, existe a exceção da exceção. Isso não quer dizer que vale tudo na hora de falar ou escrever. Há normas sobre as quais não podemos passar, mas existem também as preferências de de¬terminado autor — regras que não são regras, apenas opções. De vez em quando aparece alguém querendo fazer dessas escolhas uma regra. Geralmente são os que não estão bem inteirados da língua e buscam soluções rápidas nos guias práticos de redação. Nada contra. O problema é julgar inquestionáveis as informações que es¬ses manuais contêm, esquecendo-se de que eles estão, na maioria dos casos, sendo práticos — deixando para as gramáticas a explicação dos fundamentos da língua portuguesa.
(...)
Com informação, vocabulário e o auxílio da gramática, você tem plenas condições de escrever um bom texto. Mas, antes de se aventurar, considere quem vai ler o que você escreveu. A galera da faculdade, o pessoal da empresa ou a turma da balada? As linguagens são diferentes.
Afinal, a língua está viva, renovando-se sem parar, circulando em todos os lu¬gares, em todos os momentos do seu dia. Estar antenado, ir no embalo, baixar um arquivo, clicar no ícone — mais que expressões — são maneiras de se inserir num grupo, de socializar-se.
(Você S/A, jun. 2003.)
A tese da dinamicidade da língua comprova-se pelo fato de que:
Projeto de lei da pesca é aprovado e causa polêmica no MS
Lei da Pesca libera o uso de petrechos, como redes e anzol de galho, para qualquer tipo de pescador.
Foi aprovada na manhã desta terça-feira, 24, o projeto de lei estadual nº 119/09, a “Lei da Pesca”, na Assembleia Legislativa de Campo Grande. O documento concede uma série de benefícios aos pescadores de Mato Grosso do Sul, entre eles a pesca com petrechos antes considerados proibidos, como anzol de galho e redes, para qualquer pescador munido de carteira profissional.
A aprovação foi quase unânime, 20 votos favoráveis contra apenas três contrários. Mesmo assim, a “Lei da Pesca” gerou muita polêmica entre deputados e os mais de 400 pescadores que acompanharam de perto o plenário.
Um dos deputados opositores mais ferrenhos da nova lei disse que a liberação da pesca com petrechos irá acelerar em poucos meses o processo de extermínio de algumas espécies que antes podiam ser capturadas apenas pelos ribeirinhos. Em seu discurso de defesa à proibição aos petrechos, ele destacou que o artigo 24 da Constituição Federal diz que quando existem conflitos entre interesses econômicos e ambientais, o ambiental deve sempre prevalecer.
O Presidente da Associação de Pescadores de Isca Artesanal de Miranda (MS), Liesé Francisco Xavier, no entanto, é favorável à liberação dos petrechos. “Nós só queremos trabalhar conforme está na Constituição Federal, que libera o uso dos petrechos nos rios”, argumenta ele.
Nada teria me preparado o suficiente para a cena. Na enfermaria, um ambiente único de cerca de 250 m², não havia mais vagas. Alguns leitos, encaixados entre os demais, pareciam estar ali apenas para atender a emergência. Todas as macas estavam ocupadas por mulheres. Algumas delas, disse a médica que me acompanhava, não sobreviveriam a mais uma noite. As demais, com braços, pernas e rostos cobertos por curativos e unguentos, também demonstravam já ter abandonado a vida. Tinham um olhar apático e fixo de quem chegou ali por escolha própria. Todas tinham tentado o suicídio ateando fogo ao corpo.
Era o ano de 2004 e um movimento orgânico e endêmico de autoflagelo tomou conta das esposas de casamentos arranjados no Afeganistão. Levadas ao altar por indicação das futuras sogras, acabavam tornando-se escravas destas. Faziam-lhes as vontades, os serviços domésticos da casa na qual passavam a viver e atendiam aos desejos sexuais dos maridos. A elas era negada qualquer possibilidade de estudo ou trabalho, exatamente como na época do governo Talibã.
Pouco mais de uma década depois a capital do país respira novos ares. As mulheres ainda são discriminadas, mas não se tem mais notícias de um movimento de protesto suicida entre as noivas de Cabul. E é a internet que está mudando a história das mulheres afegãs. As redes sociais se popularizaram substituindo e-mails e mensagens de texto para um grupo cada vez maior de jovens nas áreas urbanas.
A internet estimula ainda a qualificação da mão-de-obra feminina sob um contexto de anonimato que agrada as meninas. Elas podem sonhar com um trabalho e até começar um negócio sem se expor às críticas dos mais conservadores.
Geram renda própria — e dinheiro, como se sabe, em qualquer lugar do mundo, é poder. Só uma mulher que ganha o próprio dinheiro pode fazer suas próprias escolhas.
Pode-se dizer, sem medo de errar, que a inclusão digital é um fator decisivo na história de empoderamento das mulheres. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que, no Brasil, a internauta ganha em média 136% mais do que a não-internauta. “Isso mostra uma correlação e não necessariamente uma causalidade”, alerta o fundador do Instituto, Renato Meirelles. Alerta feito, quem duvida de que as 55,3 milhões de brasileiras que acessam a internet têm mais chance de se inserir no mercado de trabalho e aumentar sua renda?
Inclusão digital é também dar poder às mulheres para que elas mudem o mundo — ou o seu mundo particular — aumentando a riqueza e espalhando a justiça apesar do lento avanço na equidade de gênero.
A humanidade está comendo mais carne e isso é um problema
Você certamente conhece muito mais vegetariano hoje do que conhecia há 10 anos, o que se pode fazer pensar que talvez estejamos comendo menos carne no mundo.
A impressão não é de todo errada; em alguns lugares as pessoas realmente estão reduzindo o consumo de carne. Mas economias como a China e a Índia, que crescem rapidamente, estão puxando os níveis mundiais de consumo de carne pra cima e equilibrando a queda de consumo em outros lugares do planeta, de acordo com um trabalho publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
O consumo de gordura e de carne aumentou na média de 3% nos últimos 50 anos, de acordo com o estudo. E isso parece pouco, mas significa bastante na conta final. Em países emergentes, em que milhões de pessoas saíram de uma situação de pobreza, essa diferença foi maior.
O estudo também calcula o nível trófico da humanidade, isso é, a posição real de várias espécies na cadeia alimentar. É a primeira vez que isso é calculado cientificamente.
Na cadeia calculada pelos cientistas envolvidos no estudo, algas e plantas estão no nível mais baixo - porque produzem a própria comida. No nível seguinte, entre outros bichos, está o coelho, herbívoro. Raposas, que comem herbívoros, estão no próximo nível. (...)
O ser humano está mais perto dos herbívoros do que dos carnívoros na cadeia alimentar. Ursos polares e orcas, que têm poucos ou nenhum predador, vêm em seguida.
Para Sylvain Bonhommeau, cientista chefe do estudo, o ser humano está no nível 2.21 da cadeia, mais perto dos herbívoros do que dos carnívoros - na verdade, próximo a onívoros como porcos e anchovas. Ou seja: não, não estamos no topo da cadeia alimentar.
Calcular o nível trófico do ser humano ajuda os cientistas a nos localizar no ecossistema e entender o impacto do consumo de energia da humanidade na cadeia alimentar.
Disponível em; http://revistagalileu.globo.com/Ciencia /noticia/2013/12/humanidade-esta-comendo- mais-carne-eisso-e-um-problema.html/ Acesso em 11/03/2014.
Qual o principal argumento que sustenta a tese de que o aumento do consumo de carne pela humanidade é um problema?
Mundo Jovem: Que questões devemos levar em conta para termos uma vida saudável?
Jane Maria Reos Wolff: Devemos ter a responsabilidade com as atitudes que vão trazer para nós uma qualidade de vida melhor. A atividade física é fundamental. E não precisamos ir lá para a academia malhar. Podemos caminhar ao ar livre, próximo ao local onde moramos, onde trabalhamos. Uns 30 minutos e ir acrescentando 10 minutos a cada semana, até chegar em uma hora, três vezes por semana. Na caminhada, olhamos o ambiente e estamos nos cuidando. Esse é um momento muito importante, porque envolve cuidado e alguma distração. Melhora a saúde física, porque trabalhamos a musculatura e as articulações, melhoramos as atividades cardíaca e respiratória. A circulação melhora nosso corpo. Estaremos fazendo um bem para nós mesmos modificando a atividade. Em vez de ficarmos sentados o tempo todo na frente da televisão, vamos caminhar, correr...
Mas quem prefere esportes ou mesmo a academia, fique à vontade: o importante é fazer atividade física. Outra atitude que não pensamos muito como cuidado de saúde é o uso do cinto de segurança, que pode prevenir acidentes graves e poupar nossa vida. [...] Então precisamos estar atentos a essas atitudes de preservação e de prevenção relativas à nossa saúde.