segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Quiz 05: PORT. - 2ª Série (Ens. Médio)

Quiz 05: PORTUGUÊS - 2ª Série - Ensino Médio
Quiz 05: PORTUGUÊS - 2ª Série - Ensino Médio

Leia o texto e, a seguir, responda as questões 1, 2, 3, 4 e 5.

Botem as mulheres no lugar. No lugar em que se tomam as decisões.

    Botem as mulheres no lugar. No lugar em que se tomam as decisões. O mundo ainda é dos homens porque as mulheres não conseguem chegar ao topo. E as mulheres não chegam ao topo porque o mundo ainda é dos homens. Não dá para esperar a igualdade de gênero cair do céu.

Karin Hueck

    O alemão Hans Schulz é um dos vice-presidentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento, uma instituição que empresta dinheiro para empresas da América Latina melhorar a vida de suas comunidades. Todos os anos, Schulz é convidado a dar palestras em dezenas de eventos ao redor do mundo: só no ano passado foram 22 conferências em 11 países. Mas, desde o começo deste ano, o alemão vem recusando convites e já perdeu a conta de quantos eventos deixou de ir. Tudo porque Schulz decidiu que não falaria mais em painéis que fossem compostos apenas por homens. Para ele, que defende a igualdade em seu trabalho, não faz mais sentido apoiar eventos que não dão voz para metade da população.

    A iniciativa não é dele. Surgiu nos EUA há uns dois anos existem aqui no Brasil também (procure por “Não tem conversa”) e qualquer homem pode participar: se não houver uma mulher escalada, basta recusar o convite para falar em público e explicar por que aos organizadores. A ideia é parecida com outra que ganhou o Brasil nas últimas semanas, o #agoraéquesãoelas, no qual homens com espaço na mídia cederam suas colunas para mulheres escreverem.

    Quem organiza eventos ou contrata colunistas para escrever nunca vai admitir que existisse machismo na escolha. Geralmente, justifica-se o excesso de homens pela competência deles: “queremos apenas os mais importantes e os melhores”. Mas é inocência supor que o machismo não age quando deixamos o mundo seguir a ordem natural das coisas – e que é só a capacidade dos homens que os leva aos lugares de destaque. Duvida? Dá só uma olhada em quem manda no planeta. No topo do mundo, há menos mulheres do que em borracharia de beira de estrada. Apenas 4% dos CEOs são do sexo feminino. 8% dos diretores executivos de empresa são mulheres. 17% dos vencedores do Nobel. 1% dos diretores que levaram o Oscar. Até em trabalhos tradicionalmente “de menina”, o cume é todo masculino. Quem é o melhor cozinheiro do mundo? Um homem. O maior costureiro? Um homem. O mais famoso bailarino? Um raio de um homem. Mesmo que algum acaso do destino tenha feito com que esses homens tenham competido com mulheres muito mais fracas pelas vagas, é muito implausível que toda essa diferença venha da nossa falta de competência, né?

    Como esta é a SUPER, não custa falar um pouco de ciência. Não há nenhum motivo biológico ou evolutivo que prove que mulheres são menos capazes do que homens. Cientistas já cansaram de derrubar qualquer teoria sobre limitações intelectuais. Mesmo aquela velha história que diz que eles têm melhor desempenho em raciocínio lógico é lorota. A pesquisa mais recente feita sobre o assunto analisou os resultados matemáticos ao redor do mundo descartando, finalmente, as diferenças culturais, como o acesso à educação. (Como se sabe, em boa parte do mundo, meninas não são incentivadas a estudar.) Num passe de mágica, as diferenças caíram para zero — especialmente em países com maior igualdade, como a Suécia e a Noruega. Até aqui no Brasil mulheres já estudam mais do que homens. Somos a maioria em universidades. Tiramos notas mais altas nas provas. Ou seja, é injusto dizer que apenas homens têm capacidade de chegar ao topo. Foi alguma coisa que tirou as mulheres de lá (uma mistura de coisas, na verdade, que são assunto para outro texto e que tem a ver com machismo, sim).

    O problema é que é o topo que ainda toma as decisões — para todo mundo que está abaixo. O caso do nosso Congresso é exemplar. No Brasil, apenas 9% dos representantes são mulheres. Temos menos parlamentares femininas do que países como Paquistão, Afeganistão e Arábia Saudita. Mas “tudo bem”, você pode dizer, “o gênero não é relevante para votar em leis”. Isso é óbvio: ambos os sexos podem ser igualmente incompetentes na hora de aprovar o próprio aumento salarial, por exemplo. O problema está em votar questões que interferem mais na vida de um ou de outro gênero.

    [...]

    Acredite, sei do que estou falando. Trabalho aqui na SUPER há sete anos. Não escrevo apenas sobre questões femininas. Tenho milhares de interesses diferentes, na verdade: gosto de exobiológica, mistérios da medicina, evolução humana, literatura, ficção científica. Mas sou a única mulher do time de editores aqui (nunca houve mais de uma, aliás) e, se eu não defender reportagens que são importantes para o gênero todo, ninguém vai. Fiquei um ano tentando convencer meus colegas de que deveríamos fazer uma capa que combatesse a violência sexual, até que enfim ela saiu, em julho deste ano, com o título de “Estupro”. Foi à edição que mais gerou repercussão positiva dos últimos anos, alcançou 20 milhões de pessoas nas redes sociais e ajudou centenas de mulheres a lidarem com seus traumas. Foi também uma reportagem conectada com o tempo: a igualdade de gênero virou tema de redação do Enem e levou milhares de mulheres às ruas justamente contra o corrupto Cunha. Não estou no cargo mais alto aqui, nem posso tomar decisões para igualar os gêneros em lugar nenhum, mas em janeiro saio de licença-maternidade. Vou me afastar por alguns meses e, se não entrar uma mulher no meu lugar, a SUPER vai ser mais um lugar onde apenas homens palpitarão. Espero que escolham uma colega — porque, se depender da “ordem natural das coisas”, nossa voz não vai ser ouvida, não.

Disponível em: http://super.abril.com.br/ideias/ botem-as-mulheres-no-lugar-no- lugar-em-que-se-tomam-as-decisoes. Acesso em: 22 fev. 2016.

01
(SEDUCE-GO).

O argumento que melhor sustenta a tese de que as mulheres não são inferiores aos homens é

A
B
C
D
E

    Alternativa "E".

(Créditos da resolução: ??.)


02
(SEDUCE-GO).

No trecho (2° parágrafo) “mas, desde o começo deste ano, o alemão vem recusando convite e já perdeu a conta de quantos eventos deixou de ir.”, o conectivo “mas”, estabelece com as ideias que o antecedem uma relação de

A
B
C
D
E

    Alternativa "B".

(Créditos da resolução: ??.)


03
(SEDUCE-GO).

Ao utilizar a expressão “de menina”, no trecho “Até em trabalhos tradicionalmente “de menina”, o cume é todo masculino.”, (4º parágrafo), o autor quis

A
B
C
D
E

    Alternativa "D".

(Créditos da resolução: ??.)


04
(SEDUCE-GO).

Segundo o texto, a revista SUPER vai ser mais um lugar onde os homens palpitarão porque

A
B
C
D
E

    Alternativa "D".

(Créditos da resolução: ??.)


05
(SEDUCE-GO).

O texto tem como tema

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


06
(SEDUCE-GO). Leia o texto e, a seguir, responda.

Espelho no cofre

    De volta de uma longa peregrinação, um homem carregava sua compra mais preciosa adquirida na cidade grande: um espelho, objeto até então desconhecido para ele. Julgando reconhecer ali o rosto do pai, encantado, ele levou o espelho para sua casa. Guardou-o num cofre no primeiro andar, sem dizer nada a sua mulher. E assim, de vez em quando, quando se sentia triste e solitário, abria o cofre para ficar contemplando “o rosto do pai”. Sua mulher observou que ele tinha um aspecto diferente, um ar engraçado, toda vez que o via descer do quarto de cima. Começou a espreitá-lo e descobriu que o marido abria o cofre e ficava longo tempo olhando para dentro dele. Depois que o marido saiu um dia ela abriu o cofre, e nele, espantada, viu o rosto de uma mulher. Inflamada de ciúme, investiu contra o marido e deu-se então uma grave briga de família. O marido sustentava até o fim que era o seu pai quem estava escondido no cofre. Por sorte, passava pela casa deles uma monja. Querendo esclarecer de vez a discussão, ela pediu que lhe mostrassem o cofre. Depois de alguns minutos no primeiro andar, a monja comentou ainda lá de cima: — Ora, vocês estão brigando em vão: no cofre não há homem nem mulher, mas tão somente uma monja como eu!

ESPELHO no cofre. In: Os cem melhores contos de humor da literatura universal. Seleção e tradução de Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. p. 29-30.

Pode-se perceber um tom de humor no fato de

A
B
C
D
E

    Alternativa "D".

(Créditos da resolução: ??.)


07
(SEDUCE-GO). Leia o texto e, a seguir, responda.

Mãe sem dia

Carlos Drummond de Andrade

    AS MÃES que já o eram antes de ser instituído o Dia das Mães não se importam muito com ele, e até dispensam homenagens sob esse pretexto. Mas as que cumpriram a maternidade após a sua criação, pensam de outro modo, e amam a data.

    Edwiges, mãe recente, com filho de ano e meio de idade, não tinha quem celebrasse o seu Dia, pois a criança estava longe de poder fazê-lo.

    Comprar para si mesma um presente não tinha graça, e além do mais não havia dinheiro para isso. Aderir à festa das outras mães, que tinham filhos grandes e recebiam homenagens, era como furtar alguma coisa, o que repugnava a Edwiges.

    Adormeceu e teve um sonho. O filho crescia velozmente diante de seus olhos e, chegando aos 18 anos, levava para ela o mais lindo ramo de crisandálias e pequeno estojo de veludo.

    Abriu-o com sofreguidão e deparou com uma aliança em que estava gravado um nome diferente do seu. Notando-lhe a surpresa, o filho pediu desculpas. O anel era para a namorada, só as flores lhe pertenciam. E saiu correndo com o estojo e o anel para entregá-los à moça.

    Mãe solteira, Edwiges ficou com as crisandálias o tempo daquele sonho. Seu Dia das Mães consistiu em lembrar o sonho.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis.,São Paulo:Companhia das letras, 2012.

Qual é o desfecho do texto?

A
B
C
D
E

    Alternativa "B".

(Créditos da resolução: ??.)


08
(SEDUCE-GO). Leia o texto e, a seguir, responda.

Eu odeio a Internet

Jerônimo Teixeira

    Jamais joguei paciência com um baralho de verdade. Se tentasse, nem saberia arranjar as cartas. Dei-me conta disso ao receber, tempos atrás, um e-mail com o título "Você é escravo da tecnologia quando...". A paciência sem baralho era apenas um dos itens de uma longa lista, e não o mais absurdo. Em todas as situações, havia esse efeito de desproporção e despropósito: a mais alta tecnologia mobilizada para o mais estúpido dos fins (se o leitor já jogou paciência no Windows, sabe do que falo).

    Quis recuperar o e-mail para citá-lo mais extensamente, mas não consegui: perdeu-se no meio de outras tantas e piores piadas, de correntes, de simpatias, de pirâmides, de abaixo-assinados e de inúmeras mensagens que eu deveria remeter a mais 100 pessoas para ganhar ações da Microsoft ou para salvar aquela menina de 8 anos que sofre de leucemia.

    A anedota resume meu recado: a Internet é a propagação indiscriminada da besteira. Alguém dirá que, com essa crítica à cyberabobrinha, estou abordando o problema pela periferia. Ocorre que os gurus da nova era — Nicholas Negroponte, do MIT, para ficar com um exemplo célebre — afirmam, com razão, que a internet não tem centro.

    Surge daí outra grande bobagem que se tem divulgado não só por fibra ótica, mas também por meio do velho e sujo papel de imprensa: a Internet democratiza o conhecimento. Se o leitor me perdoa a etimologia rasteira, direi que na verdade a rede tem muito demos para pouco cratos. Que poder efetivo uma página pessoal representa para seu autor? Na falta de um centro, somos todos periferia.

    Israelenses e palestinos, petistas e tucanos, pornógrafos e evangélicos, gremistas e colorados, punks e skin-heads — todos podem ter seu site. O internauta surfa — isto é, passa pela superfície — por todos sem que isso implique o mínimo compromisso ou mesmo interesse. A "harmonia mundial" (Negroponte, mais uma vez) que essa diversidade sugere é enganosa.

    Podemos jogar paciência sem baralho, mas ainda vivemos em um mundo prosaicamente físico no qual o hardware para abrigar nosso software segue inacessível para a maioria. No mínimo, ainda é cedo para se falar em uma revolução sem precedentes. Gutenberg apresentou sua famosa Bíblia em 1455, mas a imprensa como instituição pública levaria séculos para se desenvolver.

    Uma objeção previsível é a de que, afinal, eu uso a Internet. O presente texto foi produzido em Porto Alegre, onde moro, e transmitido via e-mail para a redação da SUPER, em São Paulo. E estou, admito, muito feliz de não ter que sair de casa em um dia frio para enfrentar fila nos Correios. Ainda assim, sustento o título aí em cima. Muita gente vai de carro todos os dias para o trabalho, mesmo detestando dirigir.

    Fico com as velhas bibliotecas de papel, cujo autoritarismo secular pelo menos não vende ilusões de igualdade tecnopopulista.

    Jornalista, mestre em Teoria da Literatura pela PUC/RS, autor da novela As Horas Podres (Artes e Ofícios, 1997).

Disponível em: http://super.abril.com.br/ tecnologia/eu-odeio-a-internet. Acesso em: 07 mar. 2016.

Com o questionamento “Que poder efetivo uma página pessoal representa para seu autor?”, infere-se que o autor pretendeu ser

A
B
C
D
E

    Alternativa "B".

(Créditos da resolução: ??.)


09
(SEDUCE-GO).

Releia o texto da questão 8, “ Eu odeio a Internet” e a tirinha abaixo e, a seguir, responda.


Disponível em: https://www.google.com.br/imgres?i mgurl==http://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 09 mar. 2016.

As opiniões dos autores “Eu odeio a Internet” e da tirinha acima em relação ao uso da internet para publicações banais são

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


10
(SEDUCE-GO). Leia o texto e, a seguir, responda.

Botões de reação do Facebook devem ir ao ar nas próximas semanas

    O Facebook está a apenas algumas semanas de, literalmente, aprender a amar, a ficar triste e a se irritar. A rede social, que fechou o ano passado com lucro de US$ 3,69 bilhões e 1,6 milhão de usuários, anunciou que lançará os novos cinco “botões de reação” nas próximas semanas, em escala global.

    Em vez de simplesmente curtir as coisas, os usuários poderão se expressar pelos botões “Love” (amor), “Haha” (o equivalente a ter morrido de rir), “Wow” (que expressa surpresa), “Sadness” (tristeza) e “Anger” (irritação). Quem estiver usando o Facebook pelo computador só precisará passar o cursor pelo joinha do botão “Curtir” para ver as novas opções. Os usuários de dispositivos móveis precisarão manter o botão “Curtir” pressionado para utilizar as novas funções.

    A rede social revelou o novo recurso, que se chama “Reações”, em outubro do ano passado. Testes foram realizados com usuários de diversos países e, durante esta fase, o emoji “Yay” (um rostinho fofo) foi retirado, com o argumento de que não era universalmente reconhecido.

Disponível em: http://revistagalileu.globo.com//Tecnologia/ noticia/2016/01/botoes-de-reacao-do- facebook-devem-ir-ao-ar-nas -proximas-semanas.html. Acesso em: 07 mar. 2016.

Em qual trecho está expressa a principal informação do texto?

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


11
(SEDUCE-GO). Leia o texto abaixo para responder as questões 11 e 12.

Menina que nasceu sem as mãos ganha concurso de caligrafia nos Estados Unidos

    Uma menina de 7 anos, que nasceu sem as mãos, ganhou nesta quarta-feira (18) um prêmio de caligrafia nos Estados Unidos. Annie Clark, que estuda em uma escola da região de Pittsburgh, foi a primeira ganhadora da premiação Nicholas Maxim, concedida por uma editora.

    Além de escrever, a garota também aprendeu a pintar, desenhar e colorir. Annie também nada, se veste, come e abre latas de refrigerante sozinha. A menina, que também consegue usar o iPod touch e computadores sem ajuda, quer escrever um livro sobre animais no futuro.

    Annie foi adotada por Tom e Mary Ellen Clark e tem oito irmãos — cinco deles, adotivos. Ela, assim como os irmãos, são chineses. Quatro dos adotivos têm deficiências que afetam as mãos ou os braços. Outras duas irmãs de Annie, Alyssa, 18, e Abbey, 21, têm síndrome de Down.

    “Nós não estávamos procurando adotar crianças com necessidades especiais (sic), mas foi o que aconteceu”, disse Mary Ellen. “Essa foi a família que Deus quis que tivéssemos.”

www.bol.com.br - Acessado em 19/04/2012

Segundo a notícia, Nicholas Maxim era o nome

A
B
C
D
E

    Alternativa "B".

(Créditos da resolução: ??.)


12
(SEDUCE-GO).

Nesse texto, identifica-se uma opinião na frase

A
B
C
D
E

    Alternativa "D".

(Créditos da resolução: ??.)






domingo, 4 de outubro de 2020

Quiz 04: PORT. - 2ª Série (Ens. Médio)

Quiz 04: PORTUGUÊS - 2ª Série - Ensino Médio
Quiz 04: PORTUGUÊS - 2ª Série - Ensino Médio

01
(SEDUC-GO). Leia o texto abaixo e, a seguir, responda.

Clarice Lispector

    "Então, escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra — a entrelinha — morde a isca, alguma coisa se escreveu."

Revista Na Ponta do Lápis, Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro, nº 23, dezembro de 2013, p. 3.

Nesse contexto, a palavra isca sugere

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


    Leia o texto abaixo e, a seguir, responda aos itens 2 e 3.

CAZUZA "MOSTRA SUA CARA": PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA A HOMENAGEAR UM POETA-CANTOR.

"Eu vejo o futuro repetir o passado /Eu vejo um museu de grandes novidades/ O tempo não para".

Escrito por Gil Neto

Sex, 06 de Dezembro de 2013 15:21

    Chego cedo. Sol forte brilhando tudo. Antes de entrar no Museu, a exposição antecipa-se. Há desconhecidos mostrando suas caras nos muros. Tenho sentimento fluido de que cada um deles carrega algo de crítica e amor nascido do homenageado.

    Logo de cara, música ao fundo como se estivesse na fila de um show já iniciado. Deparo-me com uma galeria de rostos e ideias: retratos gigantes, do tipo 3x4, dependurados, feito banners estampando mais tantos anônimos rostos. Cada um traz impresso na face um fragmento poético do artista. Uma floresta de versos a pulsar na emoção leitora.

    Somos fisgados por letras gigantes, vermelhíssimas. Salpicam nos olhos buscadores e formam o nome do homenageado: CAZUZA. Leio rápido no espalhado assimétrico das letras como objetos únicos.

    Algo me tinge de melodia a emoção e a expectativa. Ouço sons, palavras libertas voando aos meus ouvidos como se cantassem todas as irreverências acalantadas nos poemas do compositor. Sigo o corredor de espelhos ("Mergulho na mente do poeta") com trechos de músicas do artista projetados em leds, com efeitos que formam ambiente sensorial e emocional.

    Entro no espaço que nos conta pelas páginas de um álbum ilustrado dançando no escuro e na nossa imaginação todas as influências recebidas por Cazuza no seu fazer literário. Estarreço-me de encanto em saber que chegou a ler 112 vezes o Água Viva, de Clarice. Isso é mais que leitura. É revestir-se de toda emoção e sentimento perpassado pelas linhas e entrelinhas da escritora tão amada como se quisesse ser o próprio dizer vivo de Lispector.

    Depois a sala ― Cazuza, Juventude e Rock'n roll‖. Nela entramos em contato com depoimentos de personalidades e amigos de Cazuza que falam sobre questões relacionadas à juventude: a rebeldia, a transgressão e a universalização do comportamento inconformado dos jovens.

    Logo mais um corredor, das "Palavras flutuantes", com cartazes parecidos com os das manifestações de rua, com palavras-chaves das canções de Cazuza.

    Respiro toda uma atmosfera transformadora de que a música é capaz de criar. Este feito é de Cazuza. Seu lirismo é rocha na MPB. O rock ganha nova tradição. Seu dizer faz algo novo nascer na nossa música popular. O poeta nos concede seu vislumbre de uma nova lógica social almejada, querida, forjada em versos e palavras e música.

    Cazuza e suas palavras compõem o cenário de sua época a impulsionar o tempo. Busca amor sem saber ao certo onde encontrá-lo, sabendo-o ser necessário eficaz. Rebelde e contestador, Cazuza encarnou a figura do jovem de sua época: vivia de forma intensa e queria mudar o mundo. Entretanto, soube como poucos transformar sentimentos e paixões em poesia. Seus versos fortes e sua personalidade irreverente marcaram a história da música brasileira e vêm influenciando gerações até hoje, vinte e três anos após sua morte.

    Fico imaginando o que andará pela cabeça e coração de tantos visitantes adolescentes que aqui circulam. Sinto-os mais que visitantes. Embarcam na viagem pela obra e vida do artista. Saem do eixo cotidiano, envolvem-se e se emocionam. Como eu. Que julgo ter um coração sem idades.

    Percebo que a face política de Cazuza ganha espaço fecundo na exposição.

    Perpassa durante a visita toda a geração do artista que vivenciou o período da ditadura e participou intensamente do processo de abertura política do país. Por esse viés político a exposição conecta, por certo, o compositor com a juventude do agora.

    Podemos curtir a sala "Poesia e Música" dedicada à intensa relação entre poesia e canção. Por meio de recursos da computação gráfica, pílulas de conteúdo contextualizam esse "casamento" e também mostram como Cazuza traz o cenário político brasileiro para as composições.

    Na sala "O Tempo não para", através de animações vislumbramos um paralelo entre seis momentos da vida de Cazuza e da história brasileira: os grandes marcos da trajetória política e social do país. Há espaços interativos: na sala "Cante com Cazuza" há pedestal, microfone, telão e som. Quem se aventurar escolhe entre "Ideologia" e "Exagerado" e canta com Cazuza, num descontraído e íntimo karaokê.

    Os banheiros ganham status de "Altar". Recebem luzes e projeções dos shows e da irreverência do artista. Do lado de fora vivemos um momento quase íntimo: os óculos escuros, escova de dentes, par de tênis, um manuscrito em papel amassado e outros objetos pessoais.

    Ainda há a sala "A arte de escrever canções", pedagogicamente muito interessante. Nela há estações individuais com monitores touchscreen que desvendam a estrutura poética das músicas, mostram o que são versos e refrões e como as rimas e assonâncias são construídas por Cazuza. Podemos ouvi-lo cantando a música analisada.

    Na sala "Cazuza por Cazuza", composta por grandes livros cenográficos, são projetadas palavras-chave. E por meio de um sensor em cada livro, podemos escolher uma delas e ouvir o que Cazuza nos diz sobre o tema. É ali que os olhos da gente se encantam com fotos gigantes e expressivas do artista cobrindo o ambiente.

    Percebo que a exposição não é totalmente biográfica.

    Há um intento sutil e importante que é a maneira com que Cazuza faz poesia em música. Saio cantando alguns dos versos impregnados de viver e relembranças da vida que vai e de Cazuza. Reconheço-me nos seus versos ainda ecoando na boca do mundo. Sinto-me como ele por alguns instantes: romântico e despudorado.

Disponível em: http://www.escrevendoofuturo .org.br/index.php?option=com_ content&view=article&id=1517:gilneto&catid =4:blog-do-gil&Itemid=41. Acesso em 04 de abril de 2014.

02
(SEDUC-GO).

No trecho "Estarreço-me de encanto em saber que chegou a ler 112 vezes o Água Viva, de Clarice." (5º parágrafo) o termo sublinhado indica que o autor ficou

A
B
C
D
E

    Alternativa "C".

(Créditos da resolução: ??.)


03
(SEDUC-GO).

Pode-se afirmar que a exposição sobre Cazuza descrita pelo autor causou-lhe

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


04
(SEDUC-GO). Leia o texto abaixo e, a seguir, responda.

Disponível em: https://www.google.com.br/search? q=tirinhas+do+mauricio+ricardo& espv=2&es_sm=93&tbm= isch&tbo=u&source =univ&sa=X&ei=_nxFU_faGaqT0QHB1oCABw&ved

Na expressão "é a mesma frase que sua mãe usa pra você não ir pra balada!" As palavras destacadas revelam um locutor que faz uso da linguagem

A
B
C
D
E

    Alternativa "B".

(Créditos da resolução: ??.)


Leia o texto abaixo e, a seguir, responda aos itens 5, 6, 7 e 8.

Texto 1

A VIOLÊNCIA NÃO É UMA FANTASIA

Lya Luft

    A violência nasce conosco. Faz parte da nossa bagagem psíquica, do nosso DNA, assim como a capacidade de cuidar, de ser solidário e pacífico. Somos esse novelo de dons. O equilíbrio ou desequilíbrio depende do ambiente familiar, educação, exemplos, tendência pessoal, circunstâncias concretas, algumas escolhas individuais.

    Vivemos numa época violenta. Temos medo de sair às ruas, temos medo de sair à noite, temos medo de ficar em casa sem grades, alarmes e câmeras, ou bons e treinados porteiros.

    As notícias da imprensa nos dão medo em geral. Não são medos fantasiosos: são reais. E, se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades.

    Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings, onde, aliás, há mais tempo aqui e ali vêm ocorrendo furtos, às vezes assaltos, raramente noticiados. O que preocupa são movimentos adolescentes que reivindicam acesso aos shoppings para seus grupos, em geral organizados na internet.

    É natural e bom que grupos de jovens queiram se distrair: passear pelos corredores, alegres e divertidos, ir ao cinema, tomar um lanche, fazer compras. Porém correr, saltar pelas escadas rolantes, eventualmente assumir posturas agressivas ou provocadoras e bradar palavras de ordem não é engraçado.

    Derrubar crianças ou outros jovens, empurrar velhas e grávidas, não medindo consequência de suas atitudes, não é brincadeira. Shoppings são lugares fechados, com grande número de pessoas, e, portanto, podem facilmente virar perigosos túneis de pânico.

    Juventude não é sinônimo de grossura e violência (nem de inocência e ingenuidade). Neste caso, os que perturbam são jovens mal-educados (a meninada endinheirada também não é sempre refinada…) ou revoltados.

    Culpa deles? Possivelmente da sociedade, que por um lado lhes aponta algumas vantagens materiais, por outro não lhes oferece boas escolas, com muito esporte também em fins de semana, nem locais públicos de prática esportiva com qualidade (esportistas famosas como as tenistas irmãs Williams, meninas pobres, começaram em quadras públicas americanas).

    Parece que ainda não se sabe como agir: alguns jornalistas ou psicólogos e antropólogos de plantão, e gente de direitos humanos às vezes tão úteis, acham interessante e natural o novo fenômeno, recorrendo ao jargão tão gasto de que "as elites" se assustam por nada, ou "as elites não querem que os pobres se divirtam", e "os adultos não entendem a juventude".

    Pior: falam em preconceito racial ou social, palavrório vazio e inadequado, que instiga rancores. As elites, meus caros, não estão nos nossos shoppings; estão em seus iates e aviões pelo mundo.

    No momento em que as manifestações violentas de junho estão aparentemente calmas (pois queimam-se ônibus e crianças, há permanentes protestos menores pelo Brasil), achar irrestritamente bonito ou engraçado um movimento juvenil é irresponsabilidade. E é bom lembrar que, com shoppings fechando ainda que por algumas horas, os empregados perdem bonificações, talvez o emprego.

    As autoridades (afinal, quem são os responsáveis?) às vezes parecem recear uma postura mais firme e o exercício de autoridade: como pode ocorrer na família e na escola, onde reinam confusão e liberalismo negativo. Queremos ser bonzinhos, para desamparo dessa meninada.

    Todos devem poder se divertir, conviver. Mas cuidado: exatamente por serem jovens, os jovens podem virar massa de manobra. Os aproveitadores de variadas ideologias, ou simplesmente os anarquistas, os violentos, estão sempre à espreita: já começam a se insinuar entre esses adolescentes ou a organizar grupos de apoio a eles — certamente sem serem por eles convidados.

    Bandeiras, faixas, punhos erguidos e cerrados e palavras de ordem não são divertimento, e nada têm a ver com juventude. Não precisamos de mais violência por aqui. É bom abrir os olhos e descobrir o que fazer enquanto é tempo.

Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo -setti/politica-cia/lya-luft-a- violencia-nao-e-uma-fantasia. Acessado em 09/04/2014.

05
(SEDUC-GO).

A tese defendida pela autora do texto é de que

A
B
C
D
E

    Alternativa "C".

(Créditos da resolução: ??.)


06
(SEDUC-GO).

O argumento que melhor defende a tese da autora do texto é de que:

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)


07
(SEDUC-GO).

No trecho "Porém correr, saltar pelas escadas rolantes, eventualmente assumir posturas agressivas...", o termo destacado estabelece uma relação de

A
B
C
D
E

    Alternativa "C".

(Créditos da resolução: ??.)


08
(SEDUC-GO).

Em qual das citações abaixo está expressa um fato?

A
B
C
D
E

    Alternativa "E".

(Créditos da resolução: ??.)


Leia o texto abaixo, releia o texto 1 e, a seguir, responda aos itens 9 e 10.

Texto 2

Ricardo Setti

    "É a onda preocupante do verão. São os "rolezinhos" — aglomerações, por vezes gigantes, de jovens que entram simultaneamente em algum shopping center.

    Jovens em geral mais pobres do que a frequência média dos shoppings, o que desperta pelo menos dois sentimentos: 1) o temor de arrastões, devido à triste tradição brasileira no setor; 2) o puro e simples preconceito, a odiosa suposição de que, por serem jovens e, em geral, de uma camada social de presença pouco habitual nos shoppings mais luxuosos, muitos deles não brancos, são automaticamente suspeitos de bandidagem.

    A preocupação já bateu no Palácio do Planalto. A presidente Dilma encomendou avaliações sobre os eventos, preocupada com a eventualidade de os baderneiros e vândalos black blocs resolverem se infiltrar nos "rolezinhos". A Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) está reunindo, hoje, em São Paulo, 45 representantes de shoppings paulistas para organizar algum tipo de ação do setor frente ao fenômeno.

    Conforme informou o site da VEJA, a entidade também deve promover reuniões emergenciais no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, onde estão marcados os próximos eventos do tipo.

    A reação de vários shoppings tem sido histérica, a ponto de obterem, na Justiça, liminares em mandado de segurança para proibirem aglomerações em suas dependências ou mesmo aplicar multas em quem participa dos atos.

    Por causa disso, novos "rolezinhos" foram convocados no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Brasília "em apoio" aos ocorridos em São Paulo e na Grande São Paulo. Das declarações de autoridades a respeito do tema, foi bastante sensata a do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira. Segundo ele, a Polícia Militar deve atuar com força somente caso ocorram tumultos nos eventos. "Não é função de a polícia fazer a segurança nos shoppings", disse o secretário. "O papel dela é preservar a ordem. Mas se houver tumulto, ela vai aplicar a força policial."

    É fundamental que, diante da sucessão de "rolezinhos" programados, as autoridades tenham em mente, de um lado, o sagrado direito de ir e vir dos cidadãos — e os shoppings, embora privados, são locais públicos, sendo ilegal vedar o acesso a eles com base na aparência das pessoas — e, de outro, a necessidade de manter a ordem diante da baderna. A linha que separa o exercício de um direito do abuso desse direito nem sempre é clara. Há, portanto, que haver bom senso e equilíbrio."

Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo -setti/politica-cia/os-tais-rolezinhos -em-shopping-centers-estaono-limite-tenue -entre-o-direito-sagrado-de-ir-e -vir-e-a-perturbacao-da-ordem-as- autoridades-nao-podem-se- precipitar-e-praticar- abusos-no-trato-da-ques/

09
(SEDUC-GO).

Os textos 1 e 2 falam sobre

A
B
C
D
E

    Alternativa "D".

(Créditos da resolução: ??.)


10
(SEDUC-GO).

As opiniões dos autores do texto 1 e do texto 2 em relação às aglomerações violentas (rolezinhos) dos jovens nos shoppings centers são

A
B
C
D
E

    Alternativa "E".

(Créditos da resolução: ??.)


11
(SEDUC-GO). Leia a tirinha para responder as questões 11 e 12.

Disponível em Acesso em: 12/01/2009.

Na tirinha, a expressão “de verdade” foi destacada em negrito para

A
B
C
D
E

    Alternativa "E".

(Créditos da resolução: ??.)


12
(SEDUC-GO).

O humor desse texto se deve ao fato de

A
B
C
D
E

    Alternativa "A".

(Créditos da resolução: ??.)