Leia o texto a seguir e responda as questões 01 a 05.
Humor em tiras
Foi por pouco que não perdemos Caco Galhardo para o cinema. Na década de 80, no auge de sua adolescência, o paulistano era frequentador assíduo do Cine Bijou, sala no centro da cidade que exibia filmes de arte. Assistindo a longas-metragens de Fellini e Godard, descobriu que os anos 60 seriam sua referência artística. “Os filmes do Truffaut mudaram a minha vida. Sonhava em fazer algo parecido”, diz o cartunista, no quintal arborizado de sua casa, na zona oeste de São Paulo, entre um gole e outro de café. Naquela época, levado por uma amiga, foi ser assistente de produção de vídeo em uma produtora, e ali começou a imaginar uma carreira como diretor de cinema. Percebeu, no entanto, que lhe faltavam algumas características. “Para ser um diretor, vi que precisava liderar uma equipe, mas não tinha essa capacidade. Não me sentia bem no set”, revela.
O perfil introspectivo, de fato, combinava mais com o ofício de cartunista, mas até então era improvável que fizesse do hábito de desenhar, cultivado na infância, sua profissão. Nascido em uma família de classe média, cresceu recebendo uma educação tradicional dos pais, um advogado e uma dona de casa. “Não tive uma formação artística em casa, a minha escola não deu asas, tudo corria dentro das normas. Sou um peixe fora d’água”, brinca ele, que pensou em prestar Artes Plásticas antes de decidir pelo curso Publicidade [...].
Caco passava os intervalos das aulas lendo as edições da Chiclete com Banana, revista de charges do Angeli. Mais para a frente, autores norte-americanos, como Robert Crumb, com seus quadrinhos subversivos, e Matt Groening, criador do Simpsons, tornaram-se referências [...]. “No começo, eu queria ser muito alternativo, só depois fui me dar conta de que os desenhos mais tradicionais, como os do Charles [Schulz], do Peanuts, e do próprio Millôr [Fernandes], eram os melhores”, conta ele, que começou a publicar seus quadrinhos em fanzines quando estava na faculdade. [...]
De lá para cá, são mais de 20 anos publicando diariamente [...]. A rotina do cartunista não mudou — Caco desenha todas as manhãs, no estúdio que fica em sua casa. [...]
SGANZERLA, Carol. Humor em tiras. In: Revista FAAP. Disponível em: https://bit.ly/3LHmr8o. Acesso em: 6 abr. 2022. Fragmento.
01
(MEC-CAED - ADF).
Nesse texto, no trecho “‘Sou um peixe fora d’água’...” (2º parágrafo), a expressão em destaque foi utilizada pelo cartunista Caco Galhardo para
Leia os textos abaixo e responda as questões 06 e 07.
Texto 1
“Veja como estão agradecidas...”
Quando chovia, meu pai gostava de se assentar num tamborete, [...] à janela da cozinha da casa velha. Os tomateiros, hortelãs e manjericão exalando seus perfumes. As folhas de couve e espinafre, brincando de juntar gotas de água, redondas e brilhantes. As árvores e os arbustos executando seus passos de dança, balançando as folhas sob os pingos que caíam.
Olhava, sorria, [...] e dizia: “Veja como estão agradecidas...”.
Como se cada ervinha se parecesse com ele e tivesse, secretamente, alegria de viver. [...]
ALVES, Rubem. O velho que acordou menino. São Paulo: Planeta, 2005. Fragmento.
Texto 2
Os anos 40
O pinheiro
Atrás da casa, havia um bosque de pinheiros. Era logo depois do terreirão de café e podia vê-los abrindo a janela do meu quarto. Com o luar ficavam todos meio iluminados.
Em frente à casa, porém, existia aquele isolado. Sempre o amei mais do que aos outros. Creio que os pavões, também, porque costumavam pairar a seu pé, atraídos por sua beleza.
Se chovia, viravam um pinheiro de Natal, pois as gotas d’água o guarneciam com minúsculas bolas prateadas. Uma leve brisa fazia com que se movesse suavemente. À luz da Lua, deixava de ser real. Era puro sonho.
Estava nele contida a minha visão do mundo. Quando deixei a casa, nunca mais o vi. Lembro-me dele como uma coisa viva. E dói esse lembrar.
JARDIM, Rachel. Os anos 40. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1973.
06
(MEC-CAED - ADF).
No último parágrafo do Texto 1, a palavra “secretamente ” foi utilizada para
Leia o texto a seguir e responda as questões 08 a 11.
Como os músculs mudam com a idade (e como mantê-los em forma à medida que envelhecemos)
[...] Eu lidero uma equipe de cientistas que estuda os benefícios para a saúde do exercício, do treinamento de força e da alimentação para idosos.
Investigamos como as pessoas mais velhas respondem ao exercício e tentamos entender os mecanismos biológicos subjacentes que fazem com que os músculos aumentem em tamanho e força após treinamentos de resistência ou força.
Os idosos e os jovens ganham músculo da mesma maneira. Mas à medida que você envelhece, muitos dos processos biológicos que convertem o exercício em músculo se tornam menos eficazes.
Isso faz com que seja mais difícil para os idosos ganhar força, o que torna ainda mais importante para todo mundo continuar se exercitando à medida que envelhece. [...]
O exercício que estudo é do tipo que te deixa mais forte. [...]
Quando você faz treinamento de força, com o passar do tempo, os exercícios que a princípio pareciam difíceis se tornam mais fáceis à medida que seus músculos aumentam em força e tamanho – um processo chamado hipertrofia. [...]
O que meus colegas e eu descobrimos em nossa pesquisa é que, no músculo jovem, um pouco de exercício produz um sinal forte para os vários processos que desencadeiam o crescimento muscular.
Nos músculos das pessoas mais velhas, em comparação, o sinal que diz aos músculos para crescerem é muito mais fraco para uma determinada quantidade de exercício.
Estas mudanças começam a ocorrer por volta dos 50 anos — e se tornam mais pronunciadas à medida que o tempo passa. [...]
Mas esta realidade não deve desencorajar as pessoas mais velhas a fazer exercício. Pelo contrário, deve nos incentivar a nos exercitar mais à medida que envelhecemos. [...]
O trabalho que meus colegas e eu fizemos mostra claramente que, embora as respostas ao treinamento diminuam com a idade, elas não são reduzidas a zero. [...]
Então, da próxima vez que você estiver suando durante uma sessão de exercício, lembre-se de que você está desenvolvendo a força muscular que é vital para manter a mobilidade e a boa saúde ao longo da vida.
FIELDING, Roger. Como os músculos mudam com a idade (e como mantê-los em forma à medida que envelhecemos). In: BBC News. 2022. Disponível em: . Acesso em: 6 abr. 2022. Fragmento.
08
(MEC-CAED - ADF).
Nesse texto, no trecho “... as pessoas mais velhas respondem ao exercício...” (2º parágrafo), a palavra em destaque tem o mesmo significado de
Tratava-se agora de construir: e construir um ritmo novo.
Para tanto, era necessário convocar todas as forças vivas da Nação, todos os homens que, com vontade de trabalhar e confiança no futuro, pudessem erguer, num tempo novo, um novo Tempo.
E, à grande convocação que conclamava o povo para a gigantesca tarefa, começaram a chegar de todos os cantos da imensa pátria os trabalhadores [...], e que, [...] por todas as formas possíveis e imagináveis, começaram a chegar de todos os lados da imensa pátria, sobretudo do Norte; foram chegando do Grande Norte, do Meio Norte e do Nordeste, em sua simples e áspera doçura; foram chegando em grandes levas do Grande Leste, da Zona da Mata, do Centro-Oeste e do Grande Sul [...]; foram chegando de tantos povoados, tantas cidades cujos nomes pareciam cantar saudades aos seus ouvidos, dentro dos antigos ritmos da imensa pátria... [...]
Locutor n. 1
— Cruz Alta...
Locutor n. 2
— Que foram chegando de todos os lados da imensa pátria...
Locutor n. 1
— Para construir uma cidade [...]
MORAES, Vinicius de; JOBIM, Antonio Carlos. A chegada dos candangos. In: Vinicius de Moraes. Disponível em: https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/musica/cancoes/chegada-dos-candangos. Acesso em: 13 abr. 2022. Fragmento.
A qual contexto histórico esse texto faz referência?
Leia os textos a seguir e responder as questões 01 a 04.
Texto 1
Um novo peixe é descoberto nas águas do rio Mamanguape, na Caatinga paraibana
Pesquisadores descobriram uma nova espécie de peixe no interior da Paraíba. O batismo da espécie foi feito ao som de forró e samba, com uma homenagem a Jackson do Pandeiro [...], compositor brasileiro natural do município de Alagoa Grande, situada na bacia do rio Mamanguape, uma das localidades onde o Parotocinclus jacksoni foi encontrado.
O pequeno peixe pertence ao grupo dos cascudos, também chamados de limpa-vidros, devido a sua bocarra em formato de ventosa. Um indivíduo adulto pode medir até 4,1 centímetros, menor que a palma da mão humana. O peixe, de coloração acinzentada, possui características singulares, como a ausência de manchas arredondadas, típicas em outras espécies da região, e a presença das pontas da nadadeira caudal transparentes.
Além da coleta feita em Alagoa Grande que rendeu o batismo científico-musical, o P. jacksoni também foi coletado em outros seis municípios paraibanos na bacia do rio Mamanguape, com uma área de ocorrência que os pesquisadores calculam em 118 km² . [...]
O gênero Parotocinclus, ao qual pertence o jacksoni, é o mais diverso da família dos cascudos (Loricariidae), com 14 espécies descritas apenas na última década. Apenas nos cursos de água doce da região nordeste há 21 espécies do gênero reconhecidas pela ciência.
MENEGASSI, Duda. Um novo peixe é descoberto nas águas do rio Mamanguape, na Caatinga paraibana. In: O Eco. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3tppSdF. Acesso em: 21 mar. 2022. Fragmento.
Texto 2
Peixes também são bons em matemática
Experimento realizado na Alemanha revela que duas espécies de água doce têm dom para a aritmética
Peixes de água doce parecem ter boas habilidades matemáticas, como primatas, abelhas e pássaros já mostraram, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (31). [...]
O Maylandia zebra, pertencente à família Cichlidae, e raia motoro (Potamotrygon motoro), duas espécies de água doce, foram escolhidas para os testes.
Oito indivíduos de cada espécie foram submetidos a centenas de testes em grandes piscinas projetadas especificamente para observar seu comportamento.
O objetivo era que reconhecessem a cor azul como símbolo de adição e o amarelo de subtração.
Os cientistas colocaram na água cartões com um certo número de formas azuis ou amarelas e depois duas portas deslizantes, cada uma com um cartão com um número diferente de formas. Apenas uma dessas portas estava correta. [...]
Se o peixe passasse pela porta certa, recebia uma recompensa em comida. Resultado: Seis dos Maylandia zebra e quatro das raias conseguiram associar consistentemente azul com adição (+1) e amarelo com subtração (-1). [...]
Este estudo pode explicar por que ambas as espécies são capazes de reconhecer seus semelhantes por sua aparência, por exemplo, contando suas listras ou manchas, sugerem os cientistas.
FOLHA DE S. PAULO. Peixes também são bons em matemática. 2022. Disponível em: https://bit.ly/37FZtjr. Acesso em: 11 abr. 2022. Adaptado para fins didáticos. Fragmento.
Leia o texto a seguir e responda as questões 06, 07 e 08.
06
(MEC-CAED - ADF).
O Forró e a identidade nordestina contam muito da nossa história
O som do arrastado das sandálias de couro no chão batido ao se unir com o sentimento da sanfona, zabumba e triângulo faz palpitar o coração de muitos nordestinos. Essa é a identidade do Forró, ritmo que agora entra na lista de patrimônios imateriais deste imenso país plural chamado Brasil.
Tal reconhecimento é de extrema importância para a cultura do Nordeste, pois o gênero se faz presente em muitos aspectos dentro da região e, de alguma forma, conta a história deste povo que Euclides da Cunha chamou de “antes de tudo, um forte”.
Misturando também sons estrangeiros vindo de nossos colonizadores como o Xaxado, Baião e Merengue, surge também o nosso queridinho Forró, que parece ser um elo de interlocução de muitos sons que o nordestino passou a se sentir representado em seus muitos aspectos literomusicais. [...]
Como já escrevi, o Brasil até meados dos anos 1940 tinha mais preconceitos musicais do que nos tempos atuais, tudo era muito centralizado no Eixo Rio-São Paulo, e as demais localidades eram esquecidas pelas grandes gravadoras de discos.
Rompendo com esse mercado, surge nesse período um “sanfoneiro arretado” que viria a ser chamado de Rei do Baião. Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu, Pernambuco, na juventude foi morar no Rio de Janeiro. Nas noites cariocas se rendeu ao Tango e ao Foxtrote, mas seu caminho mudou de rumo e o Nordeste pulsou em suas veias.
Mesclando vários ritmos nossos, inclusive o Forró, Gonzagão ganhou o mundo com seu Gibão de couro e seu chapéu que remetia ao sertão de onde veio. Mesmo que, aí, possamos afirmar que já existe um estereótipo da figura do Nordestino, temos de concordar também que é uma quebra em tudo que havia como preconcebido dentro da nossa música. [...]
O ritmo traz uma alegria tão característica do Nordestino, em suas mais diversas formas, que é impossível não o abraçar com carinho e afeto diante da passagem do tempo costurada por nomes como Dominguinhos, Anastácia, Sivuca, Marinês, Genival Lacerda, Bastinho Calixto e tantos outros. [...]
Ainda que seja confundido muitas vezes por outros ritmos que se apropriam da nomenclatura “Forró”, o Nordeste tem muito o que referenciar a nomeação do gênero como um patrimônio imaterial brasileiro. [...]
DIPOGENES, Luã. O Forró e a identidade nordestina contam muito da nossa história. In: Diário do Nordeste. 2021. Disponível em https://bit.ly/3vcpEGA. Acesso em: 13 abr. 2022. Adaptado para fins didáticos. Fragmento.
Para defender a ideia de que o Forró representa a história do povo nordestino, o autor desse texto utiliza como argumento o trecho:
[...] No final de 2020, tomei a decisão de adotar um gato depois de tanto meu filho pedir. [...] O pedido pela adoção era quase diário. [...]
Moramos só eu e meu filho, temos um espaço grande só para nós dois e comecei a imaginar o quanto seria bom dividir com um gatinho. Não sabia praticamente nada sobre gatos, mas já estava decidida. [...]
No dia 16 de janeiro de 2021, atravessei a cidade para ir até o local onde os gatinhos estavam. Cheguei lá, sentei, peguei um, depois outro. Os dois que vi assim que cheguei eram irmãos. Superbrincalhões, carinhosos e amigos. [...]
Tico e Carmele transformaram nossa vida e nossa casa. Eles nos alegram, nos fazem felizes e nos ensinam demais. Cada um com sua personalidade, preferências e manias. [...]
Os maiores ensinamentos partem do que é comum aos dois, aos gatos. O ar de mistério quando ainda não nos conhecem, usado como forma de defesa até que a confiança nos humanos seja estabelecida, é um deles. É a capacidade de observação para conhecer melhor. A inteligência dos gatos é realmente admirável. [...]
Até a capacidade do gato de não fazer nada nos ensina. Quando eles estão descansando, não fazem outra coisa. Não ficam pensando mil coisas como nós, humanos. Isso nos leva a pensar sobre a importância de também esvaziar a mente em alguns momentos, e não separar corpo e mente como muitas vezes fazemos quando o corpo está parado e a cabeça não. [...]
Os gatos inspiram. Os gatos nos mostram que devemos levar uma vida mais leve, sem nos consumirmos pelas preocupações a ponto de adoecermos. [...]
Temos muito o que aprender com os gatos.
VERAS, Elda. Lições de gato. In: Diário do Nordeste. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3vgLUQN. Acesso em: 12 abr. 2022. Adaptado para fins didáticos. Fragmento.
Texto 2
Gato que brincas na rua
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
PESSOA, Fernando. Gato que brincas na rua. In: Arquivo Pessoa. Disponível em: https://bit.ly/38rJs0A. Acesso em: 12 abr. 2022.
Não somos os mesmos LEITE, Pedro. Não somos os mesmos # 174. In: Sofia e Otto. 2021. Disponível em: https://sofiaeotto2.blogspot.com/search/label/Amizade. Acesso em: 25 abr. 2022.
Leitura nos torna protagonistas do interminável diálogo com a tradição
É sempre muito interessante quando descobrimos certa relação entre as obras de dois ou mais autores que admiramos.
Gosto de quando abro um livro e me deparo com imagens, enredos e ideias que remontam a experiências de leitura anteriores, dando-me a sensação de que não há nada de mais saudável na vida de um leitor do que tentar estabelecer associações entre textos de autores distintos, pois é a partir desse exercício que aprendemos a reconhecer o que há de realmente contrastante entre eles. [...]
É a partir do momento em que descobrimos e começamos a procurar entender as relações entre os autores que compõem a nossa biblioteca, que tomamos consciência de que o pensamento nunca é uma atividade solitária.
Trata-se, em verdade, de algo diferente do que costumamos imaginar quando caracterizamos a figura do autor ou do intelectual como sendo alguém que vive encerrado em seu gabinete ou em sua zona de conforto, sem jamais se permitir entrar em contato com outras mentes, como se ele tivesse receio de que tal contato pudesse colocar em risco o valor e a originalidade das suas próprias ideias.
A verdade é que, se refletirmos mais demoradamente sobre essa questão, acabaremos chegando à conclusão de que a atividade intelectual muito se assemelha ao drama amoroso retratado por Heinrich Heine em um dos seus mais célebres versos:
“O rapaz ama uma jovem/Que deseja outro rapaz;/Este de outra se enamora,/Lá se vão ao juiz de paz./A donzela então decide/Desposar, só por despeito,/O primeiro que ela avista;/O rapaz ficou desfeito./É uma história tão antiga,/Mas que sempre se renova;/E quem já passou por isso/Pôs seu coração à prova”.
Versos que, talvez, sirvam de base para um poema de Carlos Drummond de Andrade [...] — “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém...” — e cujo desfecho complementa a mensagem de Heine, emprestando ainda mais força à ideia de que, embora não passemos de um simples elemento em uma rica teia de relações, o que importa não é exatamente o conjunto dessas relações em si, mas a maneira através da qual nos apropriamos delas para tentar pensar sobre as nossas trajetórias. [...]
Ainda que a leitura não seja responsável por inaugurar esse diálogo de um indivíduo consigo mesmo, percebo que, além de nos dotar de conhecimento, o seu exercício acaba desempenhando um papel fundamental ao nos revelar que também somos capazes de pensar, principalmente quando o que estamos lendo nos provoca a refletir sobre os pormenores das várias relações de influência que podemos estabelecer entre os mais diversos autores.
ALBUQUERQUE, Juliana de. Leitura nos torna protagonistas do interminável diálogo com a tradição. In: Folha. 2022. Disponível em: https://bit.ly/3vfOCWO. Acesso em: 25 abr. 2022. Adaptado para fins didáticos. Fragmento.
Em qual trecho desse texto a autora apresenta um argumento para sustentar a ideia de que é importante refletir sobre as relações de influência estabelecidas entre diversas obras?
SACRISTÃO (Expandindo infantilmente a sua admiração) Menino!
PADRE (Lança-lhe um olhar enérgico) Psiu! Cale a boca! (Seu interesse por Zé-do-Burro cresce) Sete léguas com essa cruz nas costas. Deixe ver seu ombro. Zé — do Burro despe um lado do paletó, abre a camisa e mostra o ombro. Sacristão espicha-se todo para ver e não esconde a sua impressão.
ZÉ (Balança afirmativamente a cabeça) Pra Santa Bárbara. Estava esperando abrir a igreja...
SACRISTÃO Deve ter recebido dela uma graça muito grande! Padre faz um gesto nervoso para que o Sacristão se cale.
ZÉ Graças a Santa Bárbara, a morte não levou o meu melhor amigo.
PADRE (Padre parece meditar profundamente sobre a questão) Mesmo assim, não lhe parece um tanto exagerada a promessa? E um tanto pretensiosa também?
ZÉ Nada disso, seu Padre. Promessa é promessa. É como um negócio. Se a gente oferece um preço, recebe a mercadoria, tem que pagar. Eu sei que tem muito caloteiro por aí. Mas comigo, não. É toma lá, dá cá. Quando Nicolau adoeceu, o senhor não calcula como eu fiquei.
PADRE Foi por causa desse... Nicolau, que você fez a promessa?
ZÉ Foi. Nicolau foi ferido, seu Padre, por uma árvore que caiu, num dia de tempestade.
Leia o texto, a seguir, e responda aos itens 10, 11 e 12.
TEXTO IV
Sermão de Santo Antônio
Pe. Antônio Vieira
[...]
Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? [...] Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar o Pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase se não sente [...] Suposto isto, para que procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. [...]